quarta-feira, 27 de junho de 2012

ENAPARTU - Encontro Nacional de Parteria Urbana 2012

Conheça o Núcleo de Parteria Urbana

O parto domiciliar é uma realidade cotidiana em várias partes do nosso país, mas carece de qualquer tipo de regulamentação, estudo e estatística oficial. Tanto nas comunidades longínquas do Norte como nos domicílios dos grandes centros urbanos, não temos ainda uma política governamental, nem profissional, que nos aponte os caminhos mais seguros e mais eficientes.
O Núcleo Nacional de Parteira Urbana da Rede pela Humanização do Nascimento (ReHuNa) foi criado com o objetivo não só de estudar a atual realidade brasileira na atenção obstétrica domiciliar urbana, mas também propor uma nova abordagem baseada em evidências e com respaldo técnico-científico de todos os setores da sociedade. Composto pelos profissionais que a Organização Mundial de Saúde considera… como qualificados para assistência ao parto (médicos da família, médicos-obstetras, enfermeiras-obstetras e obstetrizes), o Núcleo surge como mais um projeto da ReHuNa para viabilizar um novo modelo, holístico e transdisciplinar, de assistência ao parto no Brasil.
Além de abordar a questão do atendimento domiciliar ao nascimento, o Núcleo aposta na discusssão mais ampla da assistência, o que inclui a questão da segurança, do reconhecimento oficial, das transferências em tempo hábil, do atendimento contínuo nos hospitais, sempre encarando o parto sob seus aspectos físicos, emocionais, psicológicos, sociais e familiares.
Ana Cristina Duarte – Secretária Executiva do Núcleo de Parteria Urbana
Núcleo:
Coordenadora: Melania Amorim (PB)
Vice-Coordenador: Ricardo Herbert Jones (RS)
Secretária Executiva: Ana Cristina Duarte (SP)
Diretora de Divulgação Científica e Saúde Baseada em Evidências: Maíra Libertad (RJ)


quarta-feira, 13 de junho de 2012

MARCHA DO PARTO EM CASA - SALVADOR





Sobre 
Não preciso de CONSELHO para PARIR!

Descrição

MARCHA DO PARTO EM CASA 

Nos dias 16 e 17 de junho, mulheres ocuparão as ruas de várias cidades brasileiras em defesa dos seus direitos sexuais e reprodutivos, entre eles a escolha pelo local de parto. 

No último domingo, dia 10 de junho, o Fantástico veiculou matéria sobre o parto domiciliar, o que causou bastante repercussão. O médico-obstetra e professor da UNIFESP, Jorge Kuhn, foi entrevistado e defendeu o domicílio como um local seguro para o nascimento de bebês de mulheres saudáveis com gravidezes de baixo risco, segundo preconiza a própria Organização Mundial de Saúde. 

No dia 11/06, dia seguinte à matéria, o CREMERJ publicou nota divulgando que fará denúncia ao CREMESP para punir o médico-obstetra Jorge Kuhn por ter se posicionado favorável ao parto domiciliar nas condições acima detalhadas. 

O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante corte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intraparto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo concluiu que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, desde que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.

Em repúdio à decisão arbitrária dos Conselhos de Medicina em punir profissionais que compreendem como sendo da mulher a decisão sobre o local do parto foi idealizada a MARCHA DO PARTO EM CASA. Entre as reivindicações, além da defesa pelo direito à liberdade de escolha, pela humanização do parto e nascimento e pela melhoria das condições da assistência obstétrica e neonatal no país, também está a denúncia às altas taxas de cesarianas que posicionam o Brasil entre os primeiros colocados do ranking mundial. 

MARCHA DO PARTO EM CASA 



Salvador - BA 

Local: Cristo da Barra até o Farol 

Data: 17 de junho, domingo 

Horário: 11hrs da manhã 

Contato: Daniela Leal (71) 9205-9458, Anne Sobotta (71) 8231-4135 e Chenia d'Anunciação (71) 8814-3903 /9277-6330

Rio de Janeiro - RJ 

Local: Praia de Botafogo, altura do IBOL - Passeata até o CREMERJ (Rua Farani) 

Data: 17 de Junho, domingo 

Horário: 10h da manhã 

Contatos: Ingrid Lotfi (21) 9418-7500 

São Paulo - SP 

Local: Parque Mário Covas (atrás do Trianon) - Passeata até o CREMESP 

Data: 17 de Junho, domingo 

Horário: 14h da tarde 

Contatos: Ana Cristina Duarte (11) 9806-7090 

São José dos Campos - SP 

Local: Praça Affonso Pena perto dos brinquedos 

Data: 16 de junho, sábado 

Horário: 10h da manhã 

Contato: Flavia Penido (12) 91249820 

Campinas - SP 

Local: Praça do Côco /Barão geraldo 

Data 17 de junho, domingo 

Horário: 14h da tarde 

Contato: Ana Paula (19) 97300155 

Ribeirão Preto - SP 

Local: Esplanada do Teatro Pedro II 

Data: 16 de junho, sábado 

Horário: 14h da tarde 

Contato: Marina B Fernandes (16) 9963-9614 

Sorocaba - SP 

Local: Parque Campolim 

Data 17 de junho, domingo 

HOrário: 10h da manhã 

Contato: Gisele Leal (15) 8115-9765 

Ilhabela - SP 

Local: Praça da Mangueira 

Data: 17 de junho, domingo 

Horário: 11h da manhã 

Contato: Isabella Rusconi (12) 96317701 / Alejandra Soto Payva (12) 91498405 

Brasília - DF 

Local: próximo ao quiosque do atleta, no Parque da Cidade - Passeata até o eixão 

Data: 17 de Junho, domingo 

Horário: 09h30h da manhã 

Contatos: Clarissa Kahn (61) 8139-0099 e Deborah Trevisan (61) 8217-6090 

Belo Horizonte - MG 

Local: Concentração na Igrejinha da Lagoa da Pampulha 

Data: 16 de junho, sábado 

Horário: 12h30 da tarde 

Contato: Polly (31) 9312-7399 e Kalu (31) 8749-2500 

Recife - PE 

Local: Conselheiro Portela, 203 - Espinheiro - Em frente ao CREMEPE 

Data: 17 de junho, domingo 

Horário: 15h da tarde 

Contatos: Paty Brandão (81) 8838 5354 \ 9664 7831, Patricia Sampaio Carvalho 

Fortaleza - CE 

Local: Aterro da Praia de Iracema 

Data: 17 de junho, domingo 

Horário: 17h da tarde 

Contato: Semírades Ávila 

Curitiba - PR 

Local: Rua Luiz Xavier - Centro - Boca Maldita 

Data: 16 de junho, sábado 

Horário: 12hrs 

Contatos: Inês Baylão (41) 9102-7587 

Florianópolis - SC 

Local: Lagoa da Conceição - concentração na praça da Lagoa, onde acontece a feira de artesanatos 

Data: 17 de Junho, domingo 

Horário: 15h 

Contatos: Ligia Moreiras Sena (48) 9162-4514 e Raphaela Rezende (raphaela.rnogueira@gmail.com) 

Porto Alegre - RS 

Local: Parque Farroupilha (Redenção), Concentração no Monumento ao Expedicionário 

Data: 17 de junho, domingo 

Horário: 15:00hrs 

Contatos: Maria José Goulart (51) 9123-6136 / (51)3013-1344 



Aqui está a matéria veiculada no Fantástico: 

domingo, 20 de maio de 2012

Mães que amamentam os filhos por mais de dois anos causam controvérsia


20/05/2012 - 09h00

Mães que amamentam os filhos por mais de dois anos causam controvérsia

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO


De mansinho, Paola se aninha no colo da mãe. São 10h de quarta-feira, ela está gripada e quer mamar. A menina se ajeita e começa o ritual da amamentação. O inusual na cena é ela ter sete anos.
Controversa, a amamentação prolongada vem sendo adotada por muitas brasileiras adeptas do movimento chamado Criação com Apego (Attachment Parenting), que também prega que os
pais durmam junto com os filhos até quando eles quiserem.

O movimento nasceu há 20 anos nos EUA, após a publicação do livro "The Baby Book" (O livro do bebê, em tradução livre), do pediatra William Sears. A obra defende uma educação amável e sem castigos e punições.
Na semana passada, o assunto ganhou destaque após a revista "Time" estampar na capa uma mãe amamentando o filho de três anos. O garoto usa um banquinho para alcançar o seio materno.
Não há uma idade limite para o desmame, segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria). A OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza aleitamento exclusivo até os seis meses de idade. E recomenda que as crianças continuem sendo amamentadas no peito por até, pelo menos, dois anos.
"Não há estudos que apontem prejuízo às crianças que são amamentadas acima de dois anos. O momento de parar é uma decisão entre mãe e filho e está muito relacionada a fatores culturais", diz a pediatra Graziete Vieira, do departamento de aleitamento materno da SBP.
Segundo ela, pesquisas mostram que, quanto maior o tempo e a dose de amamentação, mais proteção imunológica terá a criança.
Na prática, porém, a maioria dos pediatras é avessa à proposta do aleitamento prolongado. "É uma aguinha com um pouquinho de sabor. O leite já não tem mais a mesma quantidade de nutrientes", diz o pediatra Cid Pinheiro, professor na Santa Casa de São Paulo.
Ele também aponta possíveis prejuízos nutricionais. "Se a criança for mamar em horário próximo a uma refeição, pode perder a fome e não se alimentar corretamente."
Para o pediatra, crianças que mamam no peito ou dormem na cama dos pais com "com cinco, seis, sete anos" podem ter prejuízos psicológicos. "Será que é esse tipo de segurança que elas precisam dos pais? Será que não estamos postergando o amadurecimento delas?"
VIDA REAL
A médica Marina Rea, membro do Comitê Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, argumenta que, no aleitamento prolongado, a criança continua a receber uma quantidade de nutrientes "apreciável", tanto em calorias (proteínas) quanto de micronutrientes (como vitamina C).
Ela reconhece, porém, que, com o passar do tempo, é pequena a quantidade de leite materno. "Mas é um líquido de alta qualidade."
Para ela, a relação emocional que existe na continuidade da amamentação da criança maior merece mais estudos. "Fala-se em crianças menos estressadas e menos agressivas. Mas não há comprovação científica."
No entanto, para a psicóloga especialista em educação Roseli Caldas, professora da Universidade Mackenzie (SP), o aleitamento prolongado distancia as crianças da vida social real e pode ser um risco à autonomia delas. "A gente não precisa disso para estar com o outro", diz.
Segundo ela, a amamentação é um vínculo de suprimento, que só cabe quando a criança é pequena. "Depois, deve ser substituído por outras mediações. As pessoas têm que estar juntas não só pelo suprimento da outra, mas pela presença."
Isso também cabe para o dormir compartilhado. "A criança precisa criar o seu espaço e respeitar o do outro."
*
"Se eu estiver em casa, ela quer mamar o dia inteiro; nunca tomou leite artificial"
Márcio Lima/Folhapress
Chenia Silva, 35, que amamenta a filha Zaya, que completa 3 anos no próximo dia 6.
Chenia Silva, 35, de Salvador, amamenta a filha Zaya, que completa 3 anos no próximo dia 6
A pequena Zaya completa três anos no próximo dia 6 e anunciou que nesta data deixará de mamar no peito.
A mãe, a historiadora e doula Chenia d'Anunciação, 35, de Salvador (BA), não está lá muito confiante e se programa para mais um ano de aleitamento. "Até os cinco, não sei, não, mas, até os quatro, talvez eu ainda amamente."
Zaya foi amamentada exclusivamente no peito até os seis meses. "Era livre demanda, dia e noite."
Depois que voltou a trabalhar, Chenia tirava o leite pela manhã. "A noite, ela voltava a mamar no peito. Até hoje, leite só o meu. Ela nunca tomou leite artificial. Se eu estiver em casa, ela quer mamar no peito o dia inteiro."
A cama também é compartilhada. "Ela tem o quarto dela, mas adora dormir com a gente. Não vemos problema."
Já amamentar a noite é cansativo, diz Chenia. "Ela mama a noite toda. Fica pendurada ali, cantando: 'Teta, teta, tetinha'".
Chenia diz que enfrenta preconceito por ainda amamentar a filha. "A sociedade tem um pouco de aversão a criança pequena, quer que logo vire adulto. Mas se a gente consegue dar atenção a elas neste período e deixar as coisas fluírem, com o tempo, elas vão tomando o caminho delas, sem pressa."
"Não é tranquilo amamentar uma criança de 7 anos; existe um preconceito"
Simon Plestenjak/Folhapress
Fabíola Cassab amamenta a filha Paola, de 7 anos
Fabíola Cassab amamenta a filha Paola, de 7 anos
A advogada Fabíola Cassab, 35, amamenta a filha Paola há sete anos. Ambas negociam o fim do aleitamento, que já não é tão frequente. "Se ela sente que vai ficar doente, mama", diz a mãe, que coordena um grupo de mães chamado Matrice.
E até quando você pretende mamar, Paola? "Eu tava pensando de ir até uns oito, nove anos", diz a garota. A seguir, trechos do depoimento de Fabíola à Folha.
"Quando a Paola nasceu achei que amamentar seria fácil. Mas não foi. Ela chorava muito, não engordava, meu bico rachou.
Pretendia amamentar até os oito meses. Mas li vários artigos que diziam o quanto é bom para o desenvolvimento motor, intelectual e social a criança ser amamentada prolongadamente.
Quando ela tinha dois anos, pensei: 'Já que eu lutei tanto para amamentar e há tantos fatores que me encorajam, por que vou parar?'. Pensei que pudesse ir até uns cinco anos. Nunca imaginei amamentar até os sete. Mas acredito que toda relação chega ao fim naturalmente.
Ela não mama mais todo dia. Mas, se sente que vai ficar doente, mama, mama, mama. Para mim, o leite é mais uma questão imunológica do que nutricional ou emocional.
Não é muito tranquilo amamentar uma criança de sete anos. Existe um preconceito muito grande.
Na escola, já me questionaram e eu logo pergunto: 'Como ela está?'. Aí eles elogiam, dizem que ela está bem, escreve bem, lê bem.
Meu marido me apoia muito, eu não conseguiria ter dado esse passo sozinha. A amamentação prolongada não limita a minha vida. Viajo a trabalho, e a Paola também é uma criança superindependente, dorme na casa das amigas, faz festa do pijama em casa, enfim, é perfeitamente saudável."
"Fui muito criticada", diz Melissa, que amamentou dois filhos ao mesmo tempo
Isadora Brant/Folhapress
Melissa e sua família em sua casa, em Itatiba; ela amamentou todos os filhos no peito
Melissa e sua família em sua casa, em Itatiba; ela amamentou todos os filhos no peito e é consultora de amamentação
Na casa da família Sato, nunca houve berço. O quarto dos pais é território livre para os filhos desde o nascimento. De certa forma, o peito da mãe, Melissa, 32, também é.
O primogênito Samuel, 7, tinha três anos quando a mãe engravidou da irmã, Regina, 5. Mesmo assim, Melissa continuou amamentando o filho.
"Fui bastante criticada, diziam que todos ficariam desnutridos. Mas pesquisei bastante e me senti segura."
Regina nasceu em casa. Na época, a família morava nos EUA. Os irmãos dividiram o seio materno por um ano, até que Samuel desistiu do leite da mãe, aos quatro anos e três meses. "Ele já estava na escola e foi pedindo cada vez menos até parar de vez."
Regina mamou até os três anos, quando Melissa já gestava Dimitri. "Um dia ela pediu para mamar. Pegou o bico, mas logo soltou disse: 'ah, mamãe, não sai mais nada.' E nunca mais pediu."
Dimitri, hoje com um ano e meio, segue mamando quando bem quer. Livre demanda, como diz a mãe, que amamenta quase que ininterruptamente há sete anos. O menino também nasceu em casa, em uma chácara em Itatiba (SP) onde vive a família.
Com tanta experiência, Melissa se tornou consultora de amamentação e hoje atua orientando gestantes e mães.
Ela também sempre carregou os filhos pequenos em panos amarrados junto ao corpo ("slings"). Preenche todos os requisitos da chamada "criação com apego."
Ela e o marido Márcio, professor de inglês e espanhol, só veem vantagens no estilo de criar os filhos.
"Isso não quer dizer que não há limites. Aqui todos se respeitam, têm deveres."
Melissa também não vê nenhum drama no fato de os filhos dormirem, quando quiserem, no quarto do casal.
"Não vejo problema. Eles crescem e depois não precisam mais disso."