segunda-feira, 7 de abril de 2014

#somostodasadelir

Convocatória
 
Aos movimentos sociais, organizações de defesa dos direitos humanos, poder público e demais entidades da sociedade civil

 
 
 
 
Em 01 de Abril de 2014, no meio da madrugada, uma mulher em trabalho de parto foi retirada de sua casa à força – mediante uma ordem judicial, policiais armados e ameaças de prisão ao seu marido, na frente de seus filhos mais velhos – e levada sob custódia para um hospital público designado por uma juíza para sofrer uma cesárea sem seu consentimento.
 
Durante o transporte, ela pediu para ser conduzida a outro hospital, que considerava uma melhor opção para si, e isso foi negado. A mulher foi levada à cirurgia sozinha, tendo sido negada a presença de um acompanhante (direito garantido pela lei federal 11.108/2005).
 
A decisão judicial (provocada a requerimento do Ministério Público) foi fundamentada na opinião de apenas uma médica, sem que a mulher tenha sequer sido ouvida, sem que tenham sido apresentadas provas ou pedida uma segunda opinião, sob a alegação de “proteger a vida do nascituro”, ainda que isso ferisse direitos fundamentais da mulher.
 
A que esses fatos remetem?
 
Privação de Liberdade | Constrangimento | Internação Compulsória | Sequestro | Tortura | Violação dos Direitos Humanos | Violência de Gênero | Agressão Física Grave | Ditadura | Truculência do Estado | Discriminação contra a Mulher | Violência Obstétrica | Medicalização da Vida | Judicialização da Vida

 
Por que você tem a ver com isso?
 
O caso de Adelir Góes, ocorrido em Torres/RS, abre um perigoso precedente que afeta direta ou indiretamente todxs que militam por causas ligadas aos Direitos Humanos, Direitos das Mulheres, Direitos Sexuais e Reprodutivos, Direitos das Minorias (Adelir, seu marido e família são ciganos e argumentos discriminatórios têm surgido sistematicamente nos debates sobre o caso), bem como contra toda e qualquer forma de violência contra as mulheres, incluindo aquela praticada pelo poder público e seus agentes. O debate é particularmente importante para todxs que têm se debruçado sobre o “Estatuto do Nascituro” e suas potenciais consequências sombrias.
 
 
Não se trata de um debate sobre parto normal ou cesárea!
 
Trata-se de uma violação aos direitos humanos, particularmente ao direito à integridade pessoal, liberdade pessoal, proteção da honra e da dignidade. Trata-se de uma violação aos direitos reprodutivos, que consistem na possibilidade das pessoas poderem escolher, mediante a informação, COMO, QUANDO, ONDE e EM QUE CONDIÇÕES terão ou NÃO terão filhos. Se você não quer ter filhos, se você quer ter filhos por cesárea, o seu direito de escolha também está ameaçado quando o poder médico e o poder jurídico podem decidir por você e usar de medidas arbitrárias para que esta decisão seja cumprida à sua revelia.
Por essas razões, convocamos todas as pessoas, grupos e movimentos que se importam com essas temáticas a comparecerem ao Ato Nacional “Somos Todxs Adelir – Ato Contra a Violência Obstétrica”, a ser realizado no dia 11/04/2014, às 13 horas, em diversas cidades brasileiras.

Para obter informações sobre o Ato em sua cidade, consulte a Agenda do Ato Nacional.
Clicando Aqui você encontra informações sobre o Ato em Salvador


 
Encaminhamentos concretos do caso até o momento:
 
A ARTEMIS – ACELERADORA SOCIAL PELA AUTONOMIA FEMININA informa que os encaminhamentos concretos sobre o caso até o momento tem se dado em duas frentes:
 
Encaminhamento do casal que teve seu direito violado para atendimento no Centro de Referência de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul para devido acolhimento e assessoria jurídica.
 
Envio de denúncia aos seguintes órgãos:
  1. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
  2. Disque Denúncia de Direitos Humanos
  3. Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
  4. Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio Grande do Sul
  5. Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República
  6. Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre
  7. Comissão de Direitos Humanos da OAB/ Rio Grande do Sul
 
Mais informações sobre o caso:
 
 
 
 
 
 

 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Roda de Gestantes do Litoral Norte da Bahia (Imbassaí)

Nossa querida Hellen Chang (Doula), está morando no litoral norte da Bahia, em Imbassaí e com ela vai nascendo um espaço para falar, sentir e viver gestação, parto, maternidade, paternidade e temas relacionados que nos encantam desse universo prazeroso. 
Ela convida para a primeira roda do Litoral, sejam bem vindos!


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pais são responsáveis pelas birras dos filhos; conheça a criação com apego

Durante a minha gestação da Zaya tive o prazer de me aproximar de pessoas interessantes, estreitar os vínculos e fazer novas amizades, dentre elas o casal Dani e Xande (Daniela Leal e Alexanre Coimbra, respectivamente). Nossos filhos nasceram com dois dias de diferença e com eles eu pude aprender e vivenciar,  de forma completamente inusitada, para mim, o que seria a criação com apego. Aprendi muito nas conversas naquele jardim da casa desse belo casal em Piatã, foram tardes e conversas ricas e inesquecíveis. 
Agora o Xande publicou esse texto na Folha de São Paulo, um gostoso aperitivo do que está por vir. Boa leitura a todos!!!

POR GIOVANNA BALOGH
16/01/14  09:55

Retirado da página do Facebook: Indiretas Maternas.
Esqueça o cantinho do castigo, as palmadas, os gritos e impor limites aos seus filhos. Troque isso por mais beijos, abraços, diálogos e ‘construa regras’ dentro da sua casa junto com a criança . A chamada ‘criação ou educação com apego’ tem sido cada vez mais praticada por pais que são contra qualquer tipo de violência.
Sim, as crianças fazem birras – muitas vezes em público – o que acaba constrangendo nós, pais. Mas,  esses ‘chiliques’ são culpa dos próprios pais, segundo a neurocientista e mãe de duas crianças, Andréia C.K. Mortensen, 40.
“Não podemos esperar reações emocionais perfeitamente equilibradas de uma criança o tempo todo. Ela simplesmente não tem capacidade disso”, comenta. Segundo ela, há alguns desencadeadores das ‘birras’ como necessidades físicas não atendidas (cansaço, sono, tédio, fome), angústia e outros fatores psicológicos, como estar em um ambiente super-estimulante, como um shopping lotado, ou até mesmo o estresse dos pais diante de uma situação.
Segundo ela, não existe uma fórmula e como cessar a birra pois não a controlamos, mas lidamos com elas. Para cada birra, é necessária uma atitude diferente, dependendo da sua causa.
“Por exemplo, se a criança bate em você, rapidamente e com a sensibilidade e experiência entenda o motivo de seu filho estar tentando chamar a sua atenção”, explica. Segundo Andréia, se ele está com sono, por exemplo, diga vai ajudá-lo a dormir e explique que não pode bater. “Fale que nessa família ninguém bate ou grita. Pergunte se ele consegue fazer um carinho aqui e mostre o lugar que ele machucou. Mas, seja firme”. Segundo ela, dessa forma você reconheceu o sentimento dela e direcionou a criança para uma ação positiva e gentil.
O psicólogo e terapeuta familiar, Alexandre Coimbra Amaral, 39, divide da mesma opinião. Segundo ele, os pais precisam conter a criança sendo empático com ela e dizendo que entende o motivo dela estar agindo daquela forma. “Você pode falar ‘eu sei que você está bravo porque não vai ganhar esse brinquedo’, por exemplo. Isso não representa perda de autoridade, mas uma comunicação para a criança de que você a compreende”.
Apesar de as birras serem desafiadoras, elas representam uma grande oportunidade para ajudar o seu filho a desenvolver conexões essenciais no cérebro. “Através da empatia e do diálogo essas conexões vão se formando e a criança aprende como lidar com o estresse no futuro”, explica a neurocientista.



CANTINHO DO CASTIGO
Amaral, que tem três filhos, explica que o cantinho do castigo deixa a criança à própria sorte no tal banquinho em um canto da casa para que ela ‘pense’ no que está fazendo. “O que ela precisa é de uma contenção emocional, muitas vezes física, como um abraço, por exemplo, até poder se regular emocionalmente. Depois, ela estaria mais preparada para poder refletir sobre o que fez com o auxílio de um diálogo empático com o adulto”.
Andréia, que administra a página no Facebook ‘Crescer sem violência’, explica que a criança nasce sem saber ler e escrever. “Nós as ensinamos, certo? Se não sabe nadar, a ensinamos. Se ela não sabe se comportar, o que fazemos? Punimos, castigamos ou a ensinamos?”, questiona.
Criar um filho é fácil, o difícil é educar. Ninguém nasce sabendo ser pai e mãe e essa é uma tarefa que construímos no nosso cotidiano.
Andréia explica que educar é transmitir valores, estimular o comportamento ético, empático, solidário e reflexivo. “São coisas que a criança vai levar para a vida inteira. Educar é ensinar a tomar boas decisões em situações de conflito. É exercer o diálogo, elogiar os bons comportamentos e, sobretudo, dar bons exemplos”.
O terapeuta familiar diz ainda que a criação com apego permite construir um ser humano mais conectado com suas emoções, seus desejos e que se coloca ativamente diante de uma incoerência dos pais. “O problema é que dá mais trabalho educar sem o auxílio do medo como opressor comportamental”, diz.
“Usar o autoritarismo em forma de castigos (físicos ou psicológicos) na educação é assumir que a violência é aceitável quando é com o outro, principalmente quando ele é indefeso. É preciso entender que um filho que deixa de fazer algo porque apanhou não é uma criança que aprendeu algo, mas uma criança assustada e com medo. É isso que desejamos para os nossos filhos?”, questiona.

Link da matéria: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/01/16/pais-sao-responsaveis-pelas-birras-dos-filhos-conheca-a-criacao-com-apego/