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quinta-feira, 15 de julho de 2021

Afirmações Positivas para o Parto

 




Durante o processo de espera para o parto é importante se cercar de energia positiva e afirmações que fortaleçam a sua escolha.


Ficar atenta aos pensamentos, buscando sempre se afastar de temores, de pessoas que não colaboram para o seu fortalecimento emocional é importante na vida, e sobretudo durante a gestação.
Tenha um caderninho, anote coisas boas que lhe acontecem, pense sempre nelas para que as boas energias estejam sempre presentes.

sábado, 11 de maio de 2019

Feliz dia das mães, quem ganha é você!



Nesse dia das mães preparei um presente especial para você.

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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Relato de Parto de Elaine Valadão. Nascimento de Igor 14/11/2017

Parto de Maria Elaine Valadão
Companheiro Lucas Miranda
Primogênito Bernardo
Nascimento de Igor
Local Templo da Terra, Fundação Terra Mirim-Ba
Data 14 de novembro de 2017
Doula Chenia d'Anunciação.

Conheci a Elaine, a recifense arretada em 2011, quando ela estava gestante do Bernardo. Nessa caminhada a Elaine se tornou doula e gere lindamente um grupo de apoio em Camaçari, o Prosa Gestante
Pense num orgulho retado que tenho dessa mulher que me chama de Minha Doula. kkkk.
O parto do Igor foi avassalador, fiquei impactada por horas, dias... menstruei dois dias após ter participado desse evento grandioso, eu ainda era puérpera do Benjamim, que tinha 7 meses a época. Sou grata a Elaine e ao Lucas, seu companheiro, por me convidarem mais uma vez para estar presente no momento mágico.
Hey Grande mãe
Hey Xamã. 

Obs. Os relatos de parto são escritos pela mulher, eu nunca os escrevo pois, é a mulher quem deve descrever como sentiu e percebeu seu parto. 

Relato do Parto de Igor

14/11/2017 – 39s+4d

Eu dormi bem, exceto pelas incontáveis idas ao banheiro. 
Já estava sentindo os sinais do meu corpo se preparando para aquele momento do parto. Contrações, tampão, energia! Estava sentindo também câimbras e incômodos do finalzinho mesmo, nada de novo. Me permiti reconhecer a ansiedade e a expectativa típicas de quem está prestes a viver um sonho: encontrar Igor e parir uma nova eu.
O dia amanheceu normal. Bê pra escola, pedidos para atender, um dia mais fresco pois estava nublado com chuva leve. Eu e Lucas ficamos de boa, namoramos e fomos para Salvador. Nesse dia (e nos dois últimos) recebi várias mensagens e ligações de mulheres fortes que fui reconhecendo ao longo desse caminho que se abriu com a maternidade/doulagem.
Fui na minha sogra pegar as matérias primas da Mãe Árvore, fomos em Chênia, comemos um bolo de laranja delicioso e ficamos caducando Ben, fofinho!
Bê já estava em casa e passamos a tarde juntos, fazendo pomadas. Depois Bê ficou com os amigos cuidando da vida serelepe e eu sentindo que algo estava diferente desde aquele namoro maravilhoso com meu parceiro. Não fiquei muito na expectativa, afinal já estava sentindo novidades a toda hora ao longo de algumas semanas. De noite recebemos um casal de amigos com sua bebê na nossa casa. Foi uma noite bem agradável, ficamos conversando sobre filhos e outras coisas regadas a ocitocina, comemos coisinhas gostosas e por fim nos despedimos (Ossanha, Safira e Fabricio).
Nesse dia Bê dormiu diretamente na nossa cama. Antes de dormir, estava zapeando o celular quando vi um vídeo de parto postado em algum lugar e resolvi assistir. Era um vídeo sem grandes qualidades, mas foi um lindo parto natural hospitalar. Naquele momento eu senti que encarnei a mulher que estava prestes a viver toda aquela emoção na carne e chorei desenfreadamente (a ponto de Lucas ir me ver para saber se eu estava bem, rs). Dormi em seguida, de alma lavada e entregue. Falei: preciso descansar, vai que engrena um TP...


14/11/2017 – 39s+5d
00:50 – Acordei com uma contração. Fui ao banheiro e vi tampão com sangue. Percebi ritmo e pedi pra Lucas observar intervalo e duração. 2/3 em 10 minutos, porém curtas, suportáveis, mas ainda sim decidimos informar pra equipe. Lorena me ligou e ficamos falando um pouco. Ela fez suas observações e sugeriu eu ir para a Mirim logo, caso realmente quisesse parir lá. Depois que desliguei fui comer, rs. E as contrações de fato não cessaram mais, mas de longe eu sabia que ainda iriam aumentar e muito; “é só fase latente”, pensei eu. Acordamos Bê: -Seu irmão tá chegando! Ele acorda todo animado!!!! Organizamos o que faltava e saímos. No caminho fui falando com Sol (que não me atendeu nem viu mensagens) e com Chênia (que retornou um pouco depois). Mandei mensagem para a XamAM que respondeu quase imediatamente: - Estou aqui!
Chegamos por volta das 03:00 e aí eu comecei a sentir contrações mais fortes (até então eu ainda duvidava que o parto engrenaria pelas contrações curtas, em torno de 30-40s). Eu fico na cama, respirando, acolhendo a dor forte que vinha cada vez mais forte. Lembro de ter agradecido à Deusa Mãe pela chegada dela e consagrei com a Artemísia me banhando com um perfume que eu mesma fiz.

Às 04:00 chegam Lorena, Tanila e Carol, contrações fortes e eu ainda na cama. Lore monitora Igor, mede pressão, etc. Eu ainda estava de posse da minha mente e verifiquei o foco alto à esquerda, rs. Logo depois fiquei na cama ainda e me deu vontade de cantar. Coloquei as músicas que havia escolhido no celular, pus os fones de ouvido e cantei alto. Me senti liberando o tanto de controle que ainda buscava ter sobre a situação. Ouvi Carne dos Deuses e comecei a me conectar com meus objetivos naturais.

Chega! Meu corpo pede movimento!
Vou na cozinha, troco ideia com as meninas entre uma contração e outra, falo algo com Bê, que estava desenhando e conversando em alta, super de boa, acho que comi ou bebi algo e tome-lhe dor. Fui para a bola embaixo do chuveiro. Lucas me acompanhou. Tanila chega com o óleo essencial de lavanda e foi um encontro lindo! Parecia que eu tava mesmo sendo lavada por dentro (muita gratidão à Lavanda e à Tanila). Mais um monitoramento e Lorena solta: tudo bem!
Tenho o desejo de ir na Grande Mãe (Templo da Terra). O dia já estava clareando. Até então meu objetivo era ir agradecer, pedir proteção e ajudar na descida de Igor com a caminhada (segundo instruções da Rainha da Floresta no rito que fiz semanas antes do parto). A cada contração um abraço em Lucas (exatamente igual ao parto de Bê). Na ponte me lembro de respirar e noto que as contrações ficam bem próximas umas das outras. Me agarro a Lucas em cada contração e sigo confiante (e com muita dor) para a Grande Mãe. Eram 2/3 passos e 1 contração. Respiro, pauso e sigo, no meu ritmo. 
No caminho das pedras Chênia chega com Ticiane. Naquela altura há não organizava pensamentos e Lucas era meu referencial de apoio. Caminho e chego. Na entrada da Grande Mãe me coloco que quatro num misto de felicidade e alívio, até a contração seguinte. 
Agora não sei mais se a sequência dos fatos é essa. ,
Falo pra Lucas: pede para as meninas encherem a banheira. Mais algum tempo e a XamAM chega e fala: cadê as roupinhas do bebê? Senti um alívio ao ouvir sua voz, pois era ela quem faltava para o rito seguir o fluxo. Meu parto foi um rito e ela tem me guiado nesse caminho da Deusa Mãe de forma muito precisa. O rito era parir a mim mesma e a quem eu buscava ser revelando minha força na morada de Pachamama, Mãe Terra.
Urrava! Ouvi seres invisíveis falando do sentido de estar vivendo aquilo. Frases que me lembro: “Morrer dói” “Se abrir dói” “Essa é a força viva e crua da natureza” “A força da transformação”. Chênia me pergunta: - Nega, tu vai parir aqui? E eu digo: - Não consigo sair daqui! Na verdade não queria! Nunca quis parir em outro lugar, mas era um desejo da alma, e não da razão. Ali aprendi que o destino se encarna quando ouvimos o chamado da alma.
A dor era forte. Lembro de falar isso no lapso de consciência: - Que dor!!! Deusa Mãe, me ajuda!!! A XamAM sábia, que conhece profundamente o meu chamado e meu caminho me diz firme, como a mestra que é: - Mude o foco! Mude as palavras!
As meninas chegam (Lore, Tani e Carol) com Bernardo e mais uma vez Lore me monitora: tudo certo! Respeitando sua função e também o meu rito, ficam assistindo e se organizando para a chegada de Igor ali no Templo da Terra. Peço forçar a Deusa Mãe e sinto a resposta chegando nas mensagens da mata que me acolhia, do chão que me apoiava, dos animais que me assistiam como mais um animal ali existindo. Lembro de visualizar um felino, uma onça, e ela me disse: A dor é força. E eu repito: - Eu sou forte!
Os puxos a essa altura já estavam nítidos, e a mim só restava me entregar a eles. A cada contração muitos gritos. Sentia que isso me abria. Em alguns momentos percebi nitidamente o trabalho do Avô Ar, tão presente, tão importante em cada respiração consciente (muito grata ao meu aliado amado). Cravava as unhas na Terra e sentia meu filho s e encaixando dentro de mim. Ele vinha em harmonia, encontrando seu caminho para o mundo. Lembrei de Bê falando em uma de nossas várias conversas: não deixa ele voltar! Ele viu um menino falando isso para mãe parindo o irmão dele em um dos vídeos de parto que vimos juntos. Isso me deu força! Não iria deixar ele voltar. Tive o prazer de sentir sua cabecinha saindo de dentro de mim com minhas mãos. Me coloquei de quatro e na seguinte contração Igor chegou com a força que fiz! E de uma vez só!
Lucas apara a chegada de Igor com a ajuda de Lore. Chênia segurou minha cabeça emocionada e disse: Ele nasceu! Você conseguiu! A XamAM com as ervas veio fechar o rito. Logo em seguinda Igor chorou. Forte! Meu menino da Terra chegou! Alguns segundos e nosso primeiro encontro. Seu corpo ainda em vernix e sangue, úmido dos meus fluidos, quentinho, firme, corado, vivo! Que alegria. A alegria era absoluta! Eu era só felicidade, gratidão e luz! 
Como não agradecer pelo milagre de viver essa experiência? 
Aos espíritos protetores daquela mata ancestral, às medicinas sagradas pela presença pulsante do Grande Mistério Sagrado, aos guias e mestres da curandeira que sou.
Ao meu corpo por ser esse portal de cura e de força.
À mestra Xamã Alba Maria, que me guiou na alvorada de uma madrugada em lua minguante no mergulho intenso do sagrado campo da Deusa Mãe, no Templo da terra, onde os sonhos são semeados e que brotam e enraízam.
À equipe tão respeitosa, parceira e competente, que soube acolher o sutil em um rito xamânico de parir.
À doula pela presença firme também, com olhar de amiga/irmã se colocando a serviço da fêmea parindo.
Ao amado companheiro, tão parceiro, tão presente numa força discreta e respeitosa, ao meu lado sempre, aprendendo junto esse caminho de amor.
Ao Bê, meu amigo, meu pequeno mestre, meu presente mais valioso, que na sua simplicidade e inocência traz tanta cura para mim desde que aportou em meu ventre.
Ao meu bebê Igor, que tão pouco é meu, e sim um parceiro de jornada que iniciou numa harmonia incrível regada literalmente a uma chuva fina de benção.


Hey Grande Espírito, Hey Grande Mãe, Hey XamAM!



Equipe Sobreparto - Lorena Santana e Tanila Amorim Glaeser
Fotos Carolina Lube - Kuara Fotografia

terça-feira, 6 de maio de 2014

Matéria sobre Parto Domiciliar em Salvador


Em Salvador contamos com excelentes profissionais para assistência ao parto no domicilio. Esse tipo de parto deve ser planejado e a gestante ser de risco habitual ( o que se costumava chamar de baixo risco)
Abaixo você confere a matéria que foi veiculada no Rede Bahia Revista de 04/05/2014 sobre Parto Domiciliar em Salvador. Aqui no blog você também encontra alguns relatos de mulheres que puderam passar por essa experiência.


 
http://redeglobo.globo.com/ba/redebahia/redebahiarevista/videos/t/edicoes/v/parto-em-domicilio-comeca-a-conquistar-futuras-mamaes-em-salvador/3325591/
Clique na imagem e assista o vídeo.
Cinthia Carvalho e Chenia da Anunciação (doula)
 
Quando estava preparando essa postagem para o blog, pensei em colocar as evidências sobre parto domiciliar, escrever os benefícios, quem pode se habilitar, mas isso s encontra facilmente no google, colocando-se PARTO DOMICLIAR. Eis que me veio a música do Luiz Gonzaga, sobre a Samarica Parteira... lembro que dava boas risadas quando criança, ouvindo e imaginando a angústia do "Lula" ao chegar com a parteira antes do cuspe secar.
 
Samarica Parteira  - Luiz Gonzaga
 
 
 
E como não poderia deixar de ser Perguntas Frequentes Sobre Parto Domiciliar
 
 
                  
 
 
Profissionais que assitem Parto Domiciliar em Salvador
 
  • Mary Galvão - Enfermeira Obstetra www.partodomiciliar.blogspot.com
  • Tanila Amorim Glaeser - Enfermeira Obstetra - tanilaglaeser@gmail.com
  • Marilena Pereira - Obstetra
 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Relato de Parto - VBAC* Domiciliar - Hellen e Levi

Relato de Parto - VBAC* Domiciliar - Hellen e Levi

* Vaginal birth after cesarean ou seja, parto normal depois de cesárea.

Na minha primeira gestação em 2009, eu engravidei depois uns 15 dias de relacionamento com uma pessoa que eu mal conhecia. Costumo dizer que foi uma puta sorte: podia ter sido um encontro de azar com um cara bizarro, mas não, minha linha do destino cruzou com a dele e ele era O cara. Eu tinha acabado de completar 22 anos e minha mãe disse que eu fosse ter aquela criança em qualquer lugar, mas lá não. Thiago me tirou de lá em 2 dias, arranjamos um lugar pra morar uma semana depois e toda a convivência girava em torno de nos conhecermos.

Desde o início eu perambulava pela GPM do Orkut, lia muita coisa e ficava boiando por aí. Fui indicada pra um médica que tinha feito as duas cesarianas da minha cunhada (estava prestes à fazer a terceira) e era chefe de plantão da maternidade que meu cunhado que é enfermeiro trabalha. Conversei com ela à respeito do meu desejo por um parto normal, e ela só me dizia: “Ainda é cedo pra pensar nisso.” Gravidez basal, 1000 ultrassons, tudo dentro dos conformes. Quando eu paro pra pensar, é bem claro que eu queria querer um parto normal, mas todos os poréns fizeram com que não passasse de uma vontade vaga, uma simpatia pela causa, eu não tinha fundamento, eu não sabia o que era uma cesárea e muito menos do que meu corpo era capaz. Eu era uma menina. Quando às 38 semanas a médica me disse: “Vamos marcar pra segunda?”, só tive uma sensação: vazio. Não dei resposta e fui pra casa pensar em outras possibilidades. E quais eram elas? Não conseguia enxergar nenhuma. Thiago disse que a decisão era minha, ele me apoiaria, como se me dissesse: “Me desculpe, não posso decidir isso por você.” Eu não tinha plano de saúde, nem dinheiro, a médica estava me oferecendo a cesariana numa bandeja, com horário marcado, com meu cunhado acompanhando a cirurgia. O esquema estava todo armado. O que eu ia querer? Ir pra vários hospitais, não achar vaga, entrar sozinha, sofrer, não ter ninguém por perto? Eu não tinha coragem pra bancar um parto sozinha. Tive medo. Medo da dor, da solidão, dos maus tratos, do desconhecido. Agendei. Não fiquei feliz, nem triste. Aquela sensação de vazio permanecia, e eu tinha uma leve sensação de não estar fazendo exatamente a coisa certa, mas ao mesmo tempo não ter outra alternativa fez a coisa parecer toda muito correta e racional. Eu racionalizei, coloquei dentro das conveniências o nascimento da minha filha.

Na segunda bem cedo cheguei na maternidade no horário combinado. Me despedi de Thiago na recepção, com a sensação de estar sendo levada pra longe de tudo que eu mais queria: meu marido perto de mim. Não consegui chorar. Entrei com minha mãe e 15 minutos depois eu me despedia dela pra ir pro pré - parto. Nesse trajeto eu desabei sozinha. Foi um choro intenso, tão angustiado! Como eu me sentia desamparada! Mal deu tempo de deitar na maca do pré - parto e vieram me buscar. Anestesia, campo, braços amarrados, eu já sabia tudo que estava pra acontecer. E pra mim não estava acontecendo nada, absolutamente nada. Eu não sentia, não ouvia, minha cabeça latejava e o estômago dava voltas. Ouvi um chorinho distante e depois de séculos me apresentaram durante segundos para um bebê e foi cruel: meu vazio, meu desamparo, minha sensação de algo faltava foi maior do que nunca. Aquela emoção que todas descreviam, eu não tive. Sentia como se algo mais ou menos tivesse acontecido, mas nada de especial. Era um vácuo, uma ausência que eu não soube identificar do quê.

Subimos pra quarto e a rotina de visitas das 14 às 17 começou. Foram 5 dias de internamento, longe de casa, longe da pessoa com quem eu deveria estar vivendo tudo aquilo; o pai, meu companheiro, que vinha protocolarmente nos visitar durante as 3 horas. Eu parecia um zumbi, não dormia, tinha de andar pra pegar fraldas, pra pegar água, não tinha ninguém pra conversar, ninguém pra cuidar de mim e eu tinha de cuidar do bebê. Sentia dores horríveis pra subir e descer daquela maca que foi projetada pra quem pelo amor de Deus?! Como colocam aquela coisa de dois andares pra gente subir e descer toda costurada, sem apoio? O leite demorou pra descer e as enfermeiras só diziam: “Vixe, a coisa tá feia!” Tive uns coágulos e não sei por que, elas apertaram minha barriga diversas vezes e eu sentia dor, muita dor. Durante uma madrugada saí no corredor pra pegar fraldas e dei de cara com uns policiais fortemente armados por que uma mulher, tinha parido e jogado o bebê fora, ia ser levado sob custódia do quarto em frente. Depois do 3º dia eu só chorava, queria ir pra casa, odiava aquele lugar. 

Quando Thiago chegava pra visita eu chorava muito, queria fugir dali, nunca tinha me sentido tão sozinha, ficava horas sem ninguém, os dias eram intermináveis... A dor foi minha companheira durante dias a fio. Junto com ela veio um inchaço súbito enorme. Meus pés, minha barriga, tudo ficou o dobro do tamanho de quando eu ainda estava grávida. Meu corpo rejeitou aquela intervenção de todas as formas. E eu só pensava obsessivamente que no outro dia eu iria embora, e como essa hora nunca chegava, fui ficando psicologicamente cada vez mais fragilizada: além das dores físicas, a dor da separação me doía demais. Fui pra casa e tive vários surtos: tive crises de pânico, fiquei alguns momentos sem reconhecer o bebê, uma infelicidade tão grosseira se instalou em mim. Tudo isso só passou com uma compreensão, amor e paciência que ninguém no mundo jamais poderia me dar, só Thiago. Ele me pediu pra procurarmos ajuda diversas vezes, mas eu não queria. Foi muito claro que aqueles dias tão frios no hospital foram o estopim da minha angústia. No meu corpo uma cicatriz grossa, profunda e na minha alma a lembrança daqueles dias tristes, vazios e sem significado perduraram no silêncio durante um bom tempo.

Fiquei grávida de novo em 2011. Não poderia ter momento pior. Estávamos passando pela pior crise conjugal da história deste casal. Lembro que quando eu fui pegar o Beta, chorei muito. Olhava pra Maria Flor e achava ela ainda tão pequena, meu Deus... Financeiramente já havíamos passado por período pior, mas estávamos longe da estabilidade. A notícia caiu como uma bomba na família, ninguém ficou feliz. Minha mãe ficou agindo como se nada tivesse acontecido, era um bebê inexistente. Comecei então a ler, conhecer histórias de outras mulheres que haviam passado por histórias terríveis, de partos roubados, de violências absurdas. Aos poucos, muito lentamente, alimentado por cada relato, o desejo de parir nasceu em mim. Eu queria aquilo. Eu tinha direito a vivenciar meu parto. Não ia deixar que a ignorância roubasse isso de mim, não ia deixar que ninguém me impedisse, principalmente eu mesma. Eu li sobre parto todos os dias desta gestação. Esse conhecimento me movia e eu tinha certeza de que esse era o caminho. Foi quando eu percebi: se eu não soubesse exatamente o que fazer, provavelmente alguém iria fazer tudo por mim.

Fui atrás da primeira possibilidade: uma enfermeira obstetra para um parto domiciliar. Fui conhecê-la, conversamos, Thiago gostou muito dela e eu fiquei feliz. Quando o ano virou a bomba caiu no meu colo: a EO não poderia nos acompanhar. Enfrentei um luto longo, não sabia o que fazer e não conseguia me mobilizar em torno de nada.

Num domingo tive uma crise de dor abdominal absurda, achei que fosse gastrite, mas aquilo doía demais! Marquei uma gastro e descobri muitos cálculos minúsculos na vesícula. A GO que ainda estava me acompanhando foi totalmente contra operar no 5º mês, a gente tinha de esperar nascer. Durante um mês fui parar na emergência umas 6 vezes, era medicada, voltava pra casa, em ciclos. Emagreci 5 kg. Minhas enzimas hepáticas alteraram muito, tive mais uma crise, um cirurgião resolveu me operar: eu não aguentava mais, eu já nem comia e só queria que aquilo acabasse. A GO dizia: “Hellen, se acontecer alguma coisa, é um aborto.” Mas tudo indicava que esperar seria pior. Operamos. Dr. João Ettinger, muito obrigada pela coragem em intervir! Ficamos bem. O tempo foi passando, resolvi sacudir a poeira por que o relógio não ia me esperar. Fomos conhecer a Casa de Parto Natural, mais uma negativa. E aí Maria Flor teve pneumonia. Ficamos internados juntos com ela, eu perambulava pelo hospital com um barrigão de 7 meses, ainda tinha de trabalhar, não sei como eu aguentei... Ela perdeu o acesso umas 6 vezes, o hospital se recusou a colocar ela na bomba de infusão, fui brigar no convênio, briguei no hospital, ela chorava, eu chorava muito, quase enlouqueci. Sim, eu estava vivendo um inferno astral numa gravidez que deveria ser serena, tranquila, com sessões de yoga e meditação. A frustração de estar tão estressada, com tantos problemas, era uma carga pesada demais pra carregar.

Minha última cartada era Marilena. Demorei tanto pra procura-la por que tinha a certeza que não poderíamos pagar pelo parto. Mas eu já tinha resolvido conversar, expor nossa situação, contar nossa história, pedir e acreditar que poderia dar certo com ela. Ela tinha agenda cheia, então fiquei quase um mês aguardando o dia da primeira consulta mergulhada numa ansiedade que me corroia as vísceras. No dia eu estava mais que tensa. Levamos todos os exames, sentei na salinha de espera e pedi. Pedi para as grandes forças que me concedessem trilhar um caminho, algum caminho. Que me dessem uma luz, era minha última esperança! Eu não suportava a possibilidade de ter o bebê num hospital. Depois das crises de vesícula, da cirurgia, da pneumonia de Maria, hospital pra mim era definitivamente um lugar para se sofrer. Ter meu filho lá seria, na melhor das hipóteses, muito angustiante. Muitas pessoas tinham me falado que ela não topava VBAC domiciliar, eu já estava preparada para essa possibilidade, mas tinha colocado pra mim mesma que precisava ouvir mais essa negativa pra me convencer de não seria mesmo aquele o caminho. Mas ela topou, nós pulamos e nos abraçamos no corredor do consultório. Eu não conseguia acreditar, só agradecia.

Nosso filho ia nascer dignamente, na nossa casa. Achei que fosse relaxar, internalizar pra chegada do bebê e conseguir viver finalmente nesses dois últimos meses minha tão sonhada serenidade pré parto. Ledo engano. Eu tinha uma terrible two, a grana tava sempre curta e eu já estava me sentindo esgotada, arrastando as cargas emocionais de tudo que tinha acontecido nos últimos 9 meses. Essa gravidez me trouxe um distanciamento físico de Thiago que ele jamais conseguiu suportar. Ele se ressentia, a gente se desentendia, nada mudava. Apesar disso, ele manteve sempre seu apoio forte. Se eu me mantive de pé foi muito por causa dele. A gente continuava se amando, eu sabia que, intimamente, essa verdade estava nele tanto quanto em mim. Cheguei à reta final com o parto todo resolvido, exames ok, só pra esperar a hora. Mas tinham tantas, tantas coisas que eu queria fazer. Todas elas dependiam de uma grana que a gente não tinha. Foi uma dura que a vida me deu: tudo que importa já estava resolvido, por que eu tinha de me consumir tanto? O que tinha tanto significado pra me roubar a paz? Essas coisas materiais que eu estava almejando tanto fazer, comprar, pagar, iam valer a serenidade do meu espírito? Nem sempre as coisas são exatamente como a gente quer. Eu precisava aprender isso. Nosso filho ia nascer de modo respeitoso, nós íamos conseguir proporcionar a ele uma passagem serena, humana. Fui me despindo de tantas outras necessidades falsas...

Comecei a me sentir triste por não poder dividir tudo isso com as pessoas da família. Eu não sabia qual seria a reação dos pais de Thiago e sabia exatamente qual seria a reação de minha mãe. Não contar nada tinha sido escolha minha desde o início. Precisava manter isso dizendo que ia parir na casa de parto, 20 dias depois da minha DPP. Foquei em Maria e passávamos tempo juntas conversando sobre Levi, vendo roupinhas e assistindo muitos vídeos. Quando cheguei perto das 40 semanas, ela já sabia todos os detalhes: que o irmão ia nascer na água, que mamãe ia gritar, fazer dodói, mas que ia ficar tudo bem. Eu perguntava pra ela: “Tá na hora do seu irmão nascer?” E ela me respondia sorrindo: “Nãooo!”

Conversava com ele todos os dias não chamando, mas dizendo que o aguardava. Que meu coração estava preparado, que ele desse seus sinais. Tinha começado a tomar as cápsulas de folha de framboesa há 5 dias, meio resistente. Sabia que eu ia sentir falta dele na barriga, queria que ele ficasse mais. Aí, que saudade que eu já tava sentindo. Acabei exteriorizando com Thais que eu também estava com medo de não dar conta de dois, do pós parto, das grande mudanças e isso me fez bem. Comecei a fazer uma sessão de yoga, banho de imersão, chá e meditação com Thiago todos os dias antes de dormir. Na segunda, dia 28 de maio, fomos para consulta de 40 semanas. Chorei no consultório por que os pais de Thiago estavam aqui em casa e só iriam embora 3 ou 4 dias depois. Eu queria parir, queria mandar eles embora. Entrei em atrito com Thiago por isso, por tanas coisas, por tudo... Ele me disse: “Pode ter certeza que eu gostaria de ter feito tudo muito diferente.” Aquilo me calou.

Na consulta tudo ótimo, como sempre. Marilena disse que achava que não passava daquela semana, Thiago disse que também não, eu disse que também não. Então estava resolvido. Mais tarde Chenia esteve aqui, fizemos a barriga de gesso e o chá da Naolí, que tomamos sentados no chão na cozinha. Me senti feliz, aconchegada. As preocupações serenaram.

Eu tava pronta pra chegar às 41, embora eu soubesse que precisava me trabalhar pra chegar mais serena às 42. Fiz algumas programações à longo prazo: tirar fotos na quinta dia 31, sair pra jantar com Thiago no sábado dia 2 de junho, fazer acupuntura na sexta. Resolvi ocupar o tempo. Acordei às 5 da matina e fui com Thiago pro trabalho dele. Enquanto ele atendia, caminhei na praça sentindo o cheiro dos eucaliptos e vendo os pássaros. Começou a chover e fomos pra casa de um amigo. Eles iam fazer uma sessão de surf e eu ia caminhar na praia. Abriu um solzinho frio e eu pensei: “Que gostoso meu filho, um sol para lhe recepcionar!” Fotografei a sessão de surf e Thiago tirou fotos minhas com aquele barrigão lindo. Depois Thiago me deixou na casa de Carla para almoçar. Encontrei lá com Chenia, Manu, e Vanessa. As meninas fizeram uma massa integral divina e Carlinha me apresentou para a fatídica pimenta. Aquela já tinha história de ter feito uma amiga dela parir. Cheirei e comi muito. Conversamos sobre parto, fralda de pano e assuntos do tipo. Me despedi das meninas e fui com Vanessa até a casa dela pra pegarmos a piscina que ela ia me emprestar. Reparei que tava sentindo uma cólicazinha chata, nada significativo. Tomei um banho em casa e fui para uma sessão de meditação e yoga. Lá chamei por ele pela primeira e única vez, forte e bem baixinho: “Vem meu filho!”

Voltei pra casa umas 22 hs, exausta! Conversei com Thiago e disse: “Tô achando que pode engatar alguma coisa aí essa noite.” Pura intuição. Deitei e não dormi. Devo ter conseguido dormir 1 hora da manhã e acordei perto de 3:30. Engraçado que eu acordei, abri os olhos e só depois de um tempo senti um líquido saindo. Chamei Thiago e disse: “Amor, acho que a bolsa estourou!” Como eu sonhei dizer isso!!! A empolgação tava na minha voz. Ele acendeu a luz e quando eu levantei desceu aquela água, não muito, bem clarinha. Fui tomar um banho quente e as contrações começaram na mesma hora. Maria acabou acordando com o movimento e ficamos dançando e brincando no quarto. Eu perguntei pra Maria: “Tá no hora do seu irmão chegar?” Ela me respondeu: “Tááá!”


6 horas liguei pra Chenia e ainda tava conseguindo falar de boa. Avisei que tava indo pra feira e quis saber da programação dela. No carro foi um pesadelo! Ainda tava bem suportável, mas já tava fazendo cara feia e ficar sentada não estava lá muito confortável. Comprei umas frutas e tentei fazer cara de paisagem para o pessoal conhecido da feira. Voltamos pra casa e eu já fui avisando: “Vou direto pra banheiro.” Liguei pra Suzana, uma amiga, ela viria ficar com Flor. A resistência do chuveiro queimou e eu tive de ir pro outro. No meio da casa estavam devidamente instalados: meu sogro, minha sogra e meu cunhado. É Hellen, as coisas não são sempre como a gente quer. Thiago disse que ia resolver, ia avisar pra eles saírem conforme o combinado, por que a história seria de que íamos ficar aqui até chegar a hora de ir pro hospital, ninguém sabia dos nossos planos reais. Eu sentei na bola no chuveiro e avisei: “Amor, vou PRECISAR me desligar de tudo!” Thiago ligou pra Marilena, que ligou pra Suzana (a enfermeira). A gente tinha tentado monitorar as contrações, mas Thiago ficou elétrico, entrava, saía, ligava o cronômetro, esquecia de desligar por que Maria tava por perto. E eu não tava dando a mínima pra aquilo. Liguei pra Chenia de novo já aos berros: “Onde você tá? Não demora!!!” Suzana minha amiga chegou, me abraçou e eu agradeci por ela estar lá. Ela ficaria responsável por sair com Maria caso ela não ficasse bem. Ela me fez companhia e logo depois Chenia chegou. Lembro de não ver exatamente que horas ela entrou, eu já não estava vendo nada com muita clareza. Estávamos dentro do meu quarto, meio escuro e eu me sentia abrigada ali. Não tinha conseguido separar muitas músicas, mas as poucas que eu tinha separado tocavam em loop, não teria sido tão perfeito se tivesse sido proposital. Chenia pressionava e massageava minha lombar e eu estava grata por ela estar ali. Eu a tinha escolhido. Maria entrava, vinha me ver, conversar e eu dizia pra ela sorrindo: “Seu irmão está chegando filha!” Eu conversava entre as contrações e respeitava minhas sensações. Estou com frio, estou com calor, quero água, alguma coisa pra comer. Comi um caqui e tomei água de coco. Não sentia vontade de comer mais nada. Eu sabia que precisava me mexer, mas queria descansar um pouco entre as contrações. Deitei de lado e uma contração me pegou. Céus, nada podia ser pior do que aquilo. Estava respirando e vocalizando bem durante a contração, vi logo no início como aquilo seria importante e me esforcei ao máximo pra incorporar um padrão de respiração equilibrado. Fiquei de quatro debruçada na cama e senti vontade de vomitar. Eu odeio vomitar. Mas respeitei aquela sensação, não resisti e botei tudo pra fora. Nunca me senti tão bem vomitando, como me limpou! Meus canais estavam se abrindo de uma maneira selvagem. Eu ainda estava lutando nesse momento. Chenia me disse: “Você está se debatendo demais na contração, lutando contra, se entrega!” Eu interiorizei, meu corpo precisava consentir, permitir aquela passagem. Eu era apenas o portal. Suzana chegou e fomos fazer um exame de toque. Eu até aquele momento não tinha parado pra pensar no horário, não sabia de quanto em quanto tempo as contrações vinham, nem quanto elas duravam, nem tinha ficado pressupondo com quanto de dilatação eu estava. Essas coisas não me interessavam. Eu estava vivendo cada contração, sem pensar em nada. Mas naquela hora eu ia saber a quantas estávamos. Serenei meu espírito: aceito o que vier. 6 cm. Não comemorei. Ainda tinha muita coisa pela frente. Voltei a me concentrar em mim. Os batimentos do bebê estavam bem. Minha pressão não. Ouvi Suzana dizer: “Chenia, faz um suco de chuchu pra mim?” Não me abalei. Eu tinha certeza de que não era nada, estava me sentindo ótima. Bebi o suco, fiz xixi. Aferimos de novo, normal. Em nenhum momento eu permiti que nenhum sentimento ou pensamento contrário sequer me sondasse, eu estava protegida. Era a oração que eu repeti tantas vezes durante a gravidez: “Mil cairão ao teu lado, dez mil a tua direita. Mas tú não serás atingido...”

Suzana me fez um escalda pés fantástico e uma massagem nos pés que fez Thiago querer alguém pra doular ele também. Cantamos Sabemos Parir que estava tocando: eu tinha feito um ninho pra parir, cheia de energias fortes e mulheres maravilhosas. Chenia me banhou com uma infusão de algodoeiro e quando Marilena chegou eu estava de quatro no banheiro. Ela identificou todos os meus sinais, não precisava de nenhum toque. Fui pra banheira. Dormi entre as contrações debruçada na borda da banheira. Maria entrou na piscina e jogou água em mim com um potinho, fiquei imensamente grata por ela estar bem. Que presente! Thiago segurou minha mão e eu ri depois da contração quando vi que ele tava embaixo da mesa por que era o único jeito de segurar minha mão onde eu estava. Me desconectei totalmente do exterior. Marilena me disse que se eu quisesse ver onde ele estava nós poderíamos ali mesmo. Aguardei um pouco e quis saber sim. Ele estava perto, muito perto. As contrações aumentaram muito e eu já tava dando uns urros de lá de dentro. Expurgando, renascendo, lavando! Não tive noção de tempo, não vi nada do que estava acontecendo no ambiente. A cada contração eu o chamava e ele atendia o meu chamado. Quando eu consegui sentir o cabelinho, uma empolgação tomou conta de mim. A cada contração sentia a cabeça mais perto e aquilo me deu uma força que quando a contração vinha eu dizia: “Vamos lá!” Thiago segurava minha mão pra me dar tração e eu comecei a fazer força de cócoras. Quando senti o cabelinho dele já na água eu ri, não tinha sofrimento! Ele ia nascer. Pedi por uma contração das boas e chamei: “Vem filhooo!” Quando a cabeça coroou consegui não fazer mais força. Fiquei anestesiada, era maravilhoso!!! Quando a cabeça saiu não segurei a vontade e fiz uma forcinha pra sair o corpo. Me valeu a laceração. Ele nasceu lindo! Veio direto pra mim, a irmã ficou encantada, o pai chorou de alegria! Nunca experimentei uma felicidade tão plena e uma vitória tão completa. Minha fé venceu!

Escrevi na parede do meu quarto algumas palavras: amor, instinto, interiorização, entrega e paciência. Fiquei triste quando cheguei em casa terça e vi que meu sogro tinha pintado a parede e apagado as palavras. Mas não teve problema, elas já estavam dentro de mim.