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quinta-feira, 15 de julho de 2021

Afirmações Positivas para o Parto

 




Durante o processo de espera para o parto é importante se cercar de energia positiva e afirmações que fortaleçam a sua escolha.


Ficar atenta aos pensamentos, buscando sempre se afastar de temores, de pessoas que não colaboram para o seu fortalecimento emocional é importante na vida, e sobretudo durante a gestação.
Tenha um caderninho, anote coisas boas que lhe acontecem, pense sempre nelas para que as boas energias estejam sempre presentes.

terça-feira, 9 de março de 2021

Coletivo Doulas Pretas - Salvador - Revista Crescer

 

Coletivo Doulas Pretas atua na formação de doulas negras, e na conscientização sobre as maternidades invisibilizadas (Foto: Jeff Dias/Divulgação)
Da esquerda para direita - Chenia d'Anunciação, Laura Daltro, Sueide Ferreira e Júlia Morais

"É urgente falar da importância de dar voz às escolhas das mulheres - a todas elas, devolver a elas o protagonismo sobre o processo do maternar. Ter esse espaço de fala e de debate é uma grande oportunidade. Veja que o principal impacto de abrir esse espaço é tentar promover a redução da violência obstétrica por meio da informação”




O Coletivo Doulas Pretas como uma iniciativa pioneira e surge a partir da iniciativa de mulheres pretas atuantes no cenário da assistência humanizada durante o ciclo gravídico puerperal, e da consciência da necessidade de construir uma nova narrativa da gestação, parto e pós parto para mulheres negras.

O Coletivo Doulas Pretas é o Primeiro Coletivo de Doulas Pretas do país a jogar luz sobre essa questão. Nascido na cidade de Salvador - Bahia, o coletivo é formado por Chenia d’Anunciação @cheniadanunciacao; Laura Daltro @netadefrancisca; Julia Morais @carapinha e Sueide Ferreira @enfa.sueide.



quinta-feira, 4 de março de 2021

O gestar e parir em tempos de pandemia: perspectivas do auto cuidado.


Dando continuidade ao nosso ciclo de lives LUTAS DE MARÇO, vamos debater desta vez sobre o processo de gestar e parir nesse momento tão delicado que estamos vivendo, que é a pandemia do Novo Coronavírus. Precisamos falar sobre como essas mulheres estão atravessando esse processo, como buscar o autocuidado priorizando, além da saúde física, a mental.

O mês de Março é sempre lembrado pelo Dia Internacional da Mulher, mais especificamente, dia 8 de março.

Mas, um dia é muito pouco para lembrar tantas lutas traçadas por mulheres do passado e do presente.

Então, faremos durante todo esse mês um ciclo de lives pelo Facebook e Instagram LUTAS DE MARÇO.

Para falar sobre isso convidamos as companheiras Tâmara Almeida, psicóloga, e Chenia d'Anunciação, doula e enfermeira. (@cheniadanunciacao)

Quinta-feira, 4 de março, às 20h contamos com a participação de todes pelo Facebook e Instagram.

Curta. Compartilhe. Prestigie a live. Apoie a nossa luta!

https://www.instagram.com/p/CL-ePQpFXo6/?igshid=kpx4rg3r8ria

sábado, 11 de maio de 2019

Feliz dia das mães, quem ganha é você!



Nesse dia das mães preparei um presente especial para você.

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Comemore seu dia com a grande promoção de doulagem.


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Chenia d'Anunciação, uma doula para chamar de sua!


*Serviço inclui consultas de pré parto, acompanhamento do trabalho de parto e parto e consulta de pós parto. Assinaremos um contrato com todos os termos do serviço. 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

PROMOÇÃO FORMAÇÃO DE DOULAS NO RECÔNCAVO




UMA REDE DE MULHERES MUDA O MUNDO

Promoção para as 10 primeiras inscritas e pagantes, só terá direito quem for confirmado o pagamento.

A inscrição apenas, sem o pagamento, não lhe dá direito a vaga.

Corre lá mulher, vem florescer, vem ser doula.

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sexta-feira, 23 de março de 2018

Relato de Parto de Eva. Nascimento de Joaquim 27/04/2016


Parto de Eva Dayane
Nascimento de Joaquim
Local CPN Mansão do Caminho
Data 27 de abril de 2016
Doula Chenia d'Anunciação.

Conheci a Eva no meu setor de trabalho na Uneb, nos demos bem logo no início do encontro. Eva tinha acabado de ter um sobrinho e a gente ficava trocando figurinhas sobre parto, maternagem, doulagens. Nos tornamos boas amigas, depois Eva foi embora, pois passou em outro concurso e eis que um dia recebo uma mensagem com um exame de BHCG positivo e dos dizeres que seria titia. Ela estava morando longe... Quando ela já estava com barrigão, nos encontramos e fiquei muito emocionada ao ver que uma nova Eva tinha surgido, conversamos muito e acertamos coisas de parto. 
2017 grávida do Ben fui para Itacaré parir, Eva e seu companheiro fizeram fotos belíssimas minha, da Zaya minha filha e do barrigão. 
Chega de histórias e vamos ao relato escrito pela Eva sobre seu parto e a chegada do Joaquim. 
Inspirem-se!


38 semanas

Começo meu relato de parto com as 38 semanas. Mas porque 38 semanas? Porque acredito que foi a partir das 38 semanas que tudo aconteceu… Com 38 semanas tive uma crise terrível de ansiedade, medos… Lembrei da conversa que havia tido com Maina, fotografa que iria registrar meu parto, a uma semana atrás estavamos na praia de Vilas do Atlântico, haviamos marcado para nos conhecer e para falar sobre as expectativas do parto, preparação, medos… naquele momento fui contando como estava minha vida, minhas expectativas, medos e ansiedades, e de repente lágrimas, desabafo… e ela ia me dizendo que era bom estar acontecendo pois os medos, a ansiedade só atrapalham na hora do parto. Me contou sobre seu parto e falou que era importante liberar as emoções e se entregar a natureza, acreditar que eu seria capaz e esperar o tempo do Joaquim. Chorei, e confesso que aquela conversa me fez refletir e pensar em todos os sentimentos que estavam ali vindo a tona comigo. Então, comecei a me sentir muito irritada, angustiada, pois já não tinha mais o que fazer, não tinha mais o que arrumar, comprar...só tinha medos, ansiedade. Medo de que? Muitos...medo do pai de meu filho não chegar a tempo para o parto, de não estar conosco naquele momento que sonhei e desejei tanto. Por que esse medo? Eu havia decidido com apoio de meu marido que iria parir em Salvador, no Centro de Parto Natural - CPN em Pau da Lima, pois era o local que eu entendia haver respeito a mulher e a criança, com respeito ao tempo do nascer, além de ser o local que eu senti segurança e confiança em ver o Joaquim nascer. Outro medo e talvez o que mais me assombrava era o dele não nascer até 41 semanas e quatro dias, pois o CPN só aceita grávidas de baixo risco. Sentia um pavor tão grande de ter que fazer uma cesárea, que isso me travava. 

Chorava, ficava em pânico. Eu estava preparada apenas para o parto natural, embora se fosse necessário aceitaria, mas confesso que eu ficaria bastante frustrada. Eu queria sentir meu filho sair de mim, ter o contato direto com ele sem intervenções. Isso desde sempre. Talvez tenha sofrido influências de minha mãe, ela teve dois partos normais. Eu queria parir como ela pariu. Outro medo de não conseguir parir, de não ter força para parir…Medo do CPN não me aceitar como gestante de baixo risco, embora eu soubesse que estava tudo bem comigo, apesar de minha GO ter me dito que eu estava dentro do perfil… eu sentia medo! Medo porque eu tinha tido infecção urinária, porque quase não consegui sair da anemia, porque minha vitamina D não havia estabilizado ainda. 

Chegou o dia da consulta de perfil. Fui para o CPN e fui aceita. Nesse dia também tive consulta com minha GO, pois ela estava atendendo lá. Joaquim ótimo, mamãe Eva também, porém chorosa de medos e muita ansiedade. Minha GO, Drª Marilena Pereira foi maravilhosa! Sempre serena, com mensagens de ânimo, me tranquilizando. Enviou um texto lindíssimo sobre parir, ensinamentos de mulheres indígenas.


39 Semanas


Passada a angústia, os medos das 38 semanas, era hora de relaxar… Era a semana de meu niver (para ser sincera só lembrei porque minha mãe me lembrou na semana passada). Dia 21 de abril era feriado. Eu estava feliz e animada, pois maridão ia chegar para fazer caminhadas na praia comigo. Eu sentia uma vontade terrível de andar. Queria andar o tempo todo, mas na praia, para ouvir o barulhinho das ondas, sentir a areia em meus pés e a brisa em meu rosto. Até ensaiei ir a praia com 39 semanas sozinha, na véspera de meu aniversário, caminhei até quase a metade do caminho para praia, porém senti desconforto, fiquei com medo da bolsa romper, de sentir dor… voltei para casa frustrada porque queria muito ir passear. Quarta-feira, era 20 de abril, meu aniversario tinha chegado, Joaquim não quis nascer no dia do aniversário da mamãe… tinha consulta com minha Go no CPN. Fui com um amigo. Estava tudo certinho caminhando para as 40 semanas. Minha Go me deu uma requisição para fazer ultrassom caso Joaquim não nascesse até a próxima consulta. Voltei para casa feliz por saber que meu bebe e eu estávamos bem. A boa notícia, pelo menos para mim era, é que ele tinha descido 1cm. Nossa! 1 cm, acho que a notícia que toda mulher que deseja parto natural quer ouvir. E eu já tinha ouvido muitas coisas sobre minha barriga. Mitos! Ouvia da vizinha “Vai ser cesárea viu Dai. Sua barriga tá muito alta. Era para tá baixa.” De minha prima, que amo! “Acho que vai ser cesárea Dayane. Sua barriga tá alta.”... 21 de abril! Maridão chegou! Fui com meu amigo busca-lo as 05:30 da manhã na rodoviária.
Chegando em casa foi só o tempo de descansar um pouco para irmos a praia. Estava super ansiosa por esse momento. Fomos e foi maravilhoso. Caminhei bastante. Fui e voltei caminhando, de minha casa para a praia era uns 15 minutos, mas com o barrigão gastamos mais tempo, em torno de 30 minutos para ir e voltar. Depois da praia descansamos. No dia seguinte praia novamente. E no sábado mais praia, caminhada, banho de mar. Voltamos mais cedo para casa para almoçar fora. Nesse dia comecei a sentir contrações mais significantes, essas contrações eram tipo cólicas suaves, eram
diferentes de tudo que eu já tinha sentido na gestação. Além das contrações, minha calcinha estava começando a ficar suja com uma gosminha parecida com borra de café, como se fosse finzinho de menstruação. Será Joaquim querendo nascer no final de semana? Contei tudo para marido e para minha doula Chenia. Mesmo assim fomos almoçar fora e depois fomos curtir o MAM com amigos de Gandu que estavam passando o feriadão em Salvador. E a colicazinha ali incomodando… eu muito feliz porque sabia que era meu filho chegando. Vimos duas exposições que estavam no MAM, curtimos o jazz. No domingo fomos novamente a praia e voltamos para casa. As colicazinhas tinham parado, mas a gosminha da calcinha não. Era hora de marido voltar para Gandu para mais uma semana de trabalho. Tínhamos medo dele voltar e eu entrar em trabalho de parto nesse intervalo de tempo de Salvador a Gandu, mas não aconteceu. Então chegou a segunda-feira, vinte e cinco de abril. Na madrugada da segunda senti contrações mais fortes junto com uma vontade de fazer coco, era uma e pouca da madrugada. Fiquei observando as contrações, olhei o relógio do celular e comecei a marcar tempo, porém não tinham ritmos. Já tinha sido instruída por minha doula para manter a calma quando eu entrasse em trabalho de parto, que se fosse de madrugada, para eu tentar dormir e descansar o máximo que eu pudesse, que eu economizasse energia, pois iria precisar para o expulsivo. Assim fiz, observei as contrações para vê se aumentariam, quando vi que estavam sem ritmo voltei a dormir. Quando acordei segunda, mandei mensagem para minha doula contando o ocorrido. Ainda não era o trabalho de parto, mas estava bem pertinho. Contei também para meu marido e para minha mãe.


Terça-feira (26 de abril)

Iniciei a segunda com contrações, porém estavam irregulares, comuniquei à minha amiga e doula Chenia da Anunciação e marido e fiquei observando. Na madrugada de segunda para terça uma e pouca da manhã comecei sentir contrações novamente e a marcar o tempo para saber se eu estava entrando em trabalho de parto. Então notei que as contrações estavam de dez em dez minutos. Fiquei muito feliz. Senti emoção. Não chamei ninguém da casa (irmã, cunhado, sobrinha), fui curtindo as contrações, e dormir novamente como havia orientado minha doula. Quando acordei, mandei mensagem para 

Chenia, depois liguei e relatei o que estava acontecendo. Mandei mensagem também para o marido e depois liguei, pois era bem cedinho. Eu estava em trabalho de parto. As contrações estavam acontecendo a cada dez minutos. Mandei mensagem também para minha Go e ela orientou que eu só fosse para casa de parto quando estivesse em trabalho de parto ativo. Então calmamente tomei meu café da manhã, liguei para minha mãe para ela vim ficar comigo e fui curtindo minhas contrações. Ficava no quarto, andava, deitava e quando vinha a contração fazia alguns movimentos orientados por minha doula. Agachava segurando o berço do Joaquim, rebolava e ia conversando com ele, dizia para ele que eu estava feliz, que ele podia vim, que o papai e a vovó já estavam a caminho. Para passar o tempo fiquei ouvindo a rádio MPB FM e ia conversando no whatsapp com algumas pessoas, principalmente com minha doula Chenia.

Não lembro exatamente a hora que minha mãe chegou, mas lembro que senti muita alegria. Agora era eu, Joaquim e mainha na casa. Minha sobrinha tinha chegado do curso e já estava saindo para escola. Minha mãe trouxe folha de algodão e fez um banho para mim, pois segundo o saber dela e da tradição banho de algodão “esquentava a dor”, acelerava o trabalho de parto. Então minha mãe fez o banho, eu banhei e tomei um pouco do chá. As contrações vinham e iam, as vezes vinham bastante dolorosas, as vezes eu chorava, as vezes parecia que eu estava acostumando. Por volta das dezessete horas minha irmã chegou com meu sobrinho. Só lembro dela me falando “Essa é a cara de quem vai parir hoje?”
Nesse momento mais uma contração estava acontecendo e chorei de dor. Por volta das dezoito minha doula chegou e conversamos, contei tudo o que tinha acontecido durante o dia. Logo depois Ecirio, pai de Joaquim chegou. E as contrações foram aumentando… Caminhei pelo quintal com Ecirio, rebolei. Teve um momento que as contrações estavam mais doloridas ainda. Lembro de Chenia falando para eu ficar de quatro com o quadril para cima para aliviar as dores e ela colocou uma música, um mantra que me acalmou bastante. Ele também fez massagens e orientou Ecirio também sobre como e onde massagear. Por volta das 22h senti fome e falei para minha mãe que eu queria comer. 
Então quando sentei, acho que para tomar sopa as contrações começaram a ficar super doloridas. Não consegui tomar a sopa e elas também não pararam mais. Senti calor também. Chenia aconselhou ir p chuveiro . Fui e fiquei lá por uma hora, nem percebi que já tinha uma hora no chuveiro, mas as contrações não pararam mais. Cada dor era maior e infindável. Chenia achou que era o momento de irmos para o CPN. Concordei. Fomos. Cheguei no CPN uma e cinquenta da madrugada. Fizeram a entrevista e me perguntaram se eu queria que fizesse o tok. Aceitei, mas pedi para que não me falassem. Chenia e Ecirio souberam. Eu estava com 6 cm dilatados. No momento da entrevista senti um liquido descer. Pensei que eu tivesse feito xixi, ela a bolsa querendo romper. Logo vi Maina chegar e a fotografar. Senti alegria quando vi Maina. Fomos para o quarto. Lá, lembro que quis ir logo para o banheiro, chuveiro. Fiquei na bola, no chuveiro, Ecirio me ajudando. Depois disso vesti um roupão e fui p cavalinho. De imediato não gostei dos balanços do cavalinho, mas fui e fiquei. 


O roupão estava me agoniando, pois eu sentia muito calor, então tirei logo tudo e fiquei peladona. kkkkk. Não lembro a hora, mas minha bolsa rompeu. Estourou como se fosse uma bola de encher e saiu um monte de líquido com um cheiro forte de amônia e bem quente. Venho um médico e perguntou se poderia fazer o tok. Aceitei. E ouvi ele dizer “coloca ela no agachamento que esse parto será de sucesso.” Ouvi isso e me senti estimulada. Fui para a “escada”, acho que é esse o nome. Não lembro se foi nesse momento que senti meu corpo abrir, mas especificamente, senti a vagina rasgar. Senti medo, dor! Falei “tem como desistir? Não quero mais normal.” Senti medo das dores serem maiores que aquela que por um momento senti. Sim, foi por um exato momento, porque depois passou e não senti mais nada. Fui para a escada. Pensei “a isso ai é moleza pura!” Comecei a descer os degrau. Nossa como é difícil. 

Logo percebi que também não havia gostado daquela bendita escada. Mas fui descendo e sendo encorajada por meus amores (marido, Chenia e Maina). Fui até o último degrau. E para subir? Eita! Achei que descer estava difícil, subir pior ainda. Mas fui subindo e respirando com ajuda de Ecirio, de Chenia. Mas a maior parte era esforço meu. Senti vontade de ir p banheiro. Achei que eu poderia parir de cócoras. Queria que fosse assim. Agachei no chão no banheiro, mas achei super desconfortável. Sia de lá e fui para a banqueta. Nessa hora eu sentia que estava próximo. Eu estava procurando a posição mais confortável possível. A banqueta era o local. Senti conforto. Ecirio me segurando por trás, me abraçando. Cochilei. Não lembro por quanto tempo, mas demorou e as contrações foram embora. Ai ouvi Chenia falando “Amiga, as contrações foram embora já faz um tempinho. Se demorar demais vai começar tudo de novo.” Ouvindo isso disse para mim mesma “tudo de novo não!’ Ai comecei a chamar “Vem filho, vem Joaquim” Quase que sussurrando. Não tinha forças para gritar, ou resolvi guardá-las para a expulsão. Então senti novamente as dores, agora mais brandas. Porém senti vontade de fazer força. Perguntei “Quem vai segurar ele? Quem vai pegar Joaquim?” Perguntei isso três vezes. Na terceira vez, vi uma equipe entrar. Eram muitas pessoas. Não lembro quantas, mas lembro da enfermeira que segurou Joaquim na expulsão. Apagaram as luzes, desligaram o ar. Fiz a primeira força. 





Joguei para o tórax. Chenia havia me dito que não fazer isso, para canalizar a força para a pélvis. Logo saquei que fiz tudo errado. Pensei “Nossa como é difícil! Como vou fazer isso?” Aí lembrei alguém dizendo “é como se fosse força de fazer coco!” Então pensei nisso e fiz a segunda força. Foi rápido, não tive como pensar muito, pois as vontades eram involuntárias. Na terceira fiz uma força maior que a segunda e Joaquim nasceu. A enfermeira segurou Joaquim e logo colocou em cima de mim. Eu me senti meu aérea. Ouvi o choro dele e o calor dele em cima de mim. Tentei segurar, mas ele escorregava. A enfermeira disse “Segura mãe!” E eu segurei com força e pude ver o Joaquim. Cabeludo, quentinho, cheio de sebo protegendo a pele dele. Boquinha rosinha, olhinhos pequenos. Ele me olhou. 


Fiquei emocionada. Ele reconheceu a mamãe. Logo em seguida olhou para o pai e procurou o seio e mamou. Achei incrível! Ai senti muito sono. E o médico ou a enfermeira, não lembro fazendo milhares de perguntas. E eu pensando “só quero dormir!” E fiquei uma hora acordada porque não deixaram eu dormir. Ai fizeram os procedimentos. Tiraram a placenta. Não vi. Me arrependo por não ter visto a placenta de Joaquim. Joaquim mamou novamente e ai pude dormir. Também senti fome, muita fome, mas o sono era maior.



terça-feira, 6 de maio de 2014

Matéria sobre Parto Domiciliar em Salvador


Em Salvador contamos com excelentes profissionais para assistência ao parto no domicilio. Esse tipo de parto deve ser planejado e a gestante ser de risco habitual ( o que se costumava chamar de baixo risco)
Abaixo você confere a matéria que foi veiculada no Rede Bahia Revista de 04/05/2014 sobre Parto Domiciliar em Salvador. Aqui no blog você também encontra alguns relatos de mulheres que puderam passar por essa experiência.


 
http://redeglobo.globo.com/ba/redebahia/redebahiarevista/videos/t/edicoes/v/parto-em-domicilio-comeca-a-conquistar-futuras-mamaes-em-salvador/3325591/
Clique na imagem e assista o vídeo.
Cinthia Carvalho e Chenia da Anunciação (doula)
 
Quando estava preparando essa postagem para o blog, pensei em colocar as evidências sobre parto domiciliar, escrever os benefícios, quem pode se habilitar, mas isso s encontra facilmente no google, colocando-se PARTO DOMICLIAR. Eis que me veio a música do Luiz Gonzaga, sobre a Samarica Parteira... lembro que dava boas risadas quando criança, ouvindo e imaginando a angústia do "Lula" ao chegar com a parteira antes do cuspe secar.
 
Samarica Parteira  - Luiz Gonzaga
 
 
 
E como não poderia deixar de ser Perguntas Frequentes Sobre Parto Domiciliar
 
 
                  
 
 
Profissionais que assitem Parto Domiciliar em Salvador
 
  • Mary Galvão - Enfermeira Obstetra www.partodomiciliar.blogspot.com
  • Tanila Amorim Glaeser - Enfermeira Obstetra - tanilaglaeser@gmail.com
  • Marilena Pereira - Obstetra
 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Ontem a vítima foi Adelir, amanhã pode ser você!

O Movimento de Humanização do Parto, está organizando para o dia 11/04, manifestações em frente ao Ministério Público de diversas cidades do Brasil. Aqui em Salvador a página do evento encontra-se no facebook, junte-se a nós, vamos dar m basta na violência obstétrica, que também é violência contra mulher.

Ato Pelo direito de decidir, contra a violência obstétrica
 
Quando? 11 de Abril de 2014]
Onde? Sede do Ministério Público na Av. Joana Angélica, Salvador/BA
Que horas? 15h.

Traga seu cartaz, traga seu tambor, traga sua indignação!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Como atender um Parto Humanizado - passo a passo

Texto da Ana Cristina Duarte

20 de março de 2013 às 23:11
 
Você, médico ou enfermeira obstetra, está lá de plantão no seu canto. Não aguenta mais aquele papo de quem vai pro paredão do BBB.
Chega a gestante em trabalho de parto. Vamos supor as seguintes condições:
- Fez pré natal e não há nada de anormal
- Ela está em trabalho de parto (contrações efetivas, 2 a 3 contrações em 10 minutos)

Eis o que fazer:

1) Sorria. Apresente-se com um aperto de mão, diga seu nome e sua função na instituição. Cumprimente o acompanhante. Parabenize-a pela chegada do bebê. Só faça elogios. Não faça críticas, nem piadas. Seja simpático e sorridente, sem ser 'engraçadinho'. E definitivamente essa não é a hora de julgar falta de pré natal, excesso de filhos, de peso ou de pêlos. Nada disso é da sua conta. Lembre-se que você está sendo pago por esse serviço, que aceitou voluntariamente. Lembre-se que, em última instância, são elas que pagam o nosso salário. Dica: se estiver cansado, preocupado, estressado, com um difícil plantão, pare antes de entrar na sala de admissão ou de receber o casal. Pare. Respire. Lembre-se que para eles, é uma experiência única e possivelmente a primeira. Eles estão com medo, assustados e ela com dor.

2) Deixe-a à vontade e o mais confortável possível, com liberdade de posição, desde essa fase de triagem. Explique que ela pode parar de responder se vier contração. Aguarde as contrações, sempre que vierem, antes de continuar o seu questionário. Pergunte os dados que você precisa para o preenchimento da ficha da admissão. Ofereça uma camisola da instituição, sem obrigá-la a usar.

3) Peça que aproveite logo após o final de uma contração para se deitar em maca com encosto elevado pelo menos 45º. Diga que tentará ser o mais rápido possível. Instale a cardiotocografia de admissão, explique que é para avaliar os batimentos cardíacos do bebê. Verifique temperatura, pulso e pressão arterial. Tire termômetro e manguito de pressão tão logo termine as medidas. Peça licença para examinar a dilatação. Espere ela concordar. Seja delicado. Use gel lubrificante. Não force o colo. Não tente abrir mais do que já está. Pense em como você gostaria que um profissional examinasse internamente sua esposa, sua irmã, sua filha. Apenas avalie rapidamente, dilatação, esvaecimento, posição e altura. Diga a ela com quantos centímetros ela está de dilatação e dê parabéns, novamente. Diga que ela pode continuar o exame do coração do bebê em qualquer posição, inclusive de pé. Após os 20 minutos necessários, desligue imediatamente o aparelho e, caso esteja tudo bem, informe esse dado. Caso não esteja tudo bem, diga o que o preocupa, sem inflacionar a informação, e explique que você já vai cuidar disso com a maior rapidez possível.

4) Supondo que ela já esteja com pelo menos 4 cm de dilatação e contrações efetivas, ou seja, na fase ativa do trabalho de parto, instale-a com o acompanhante, de preferência numa sala individual (não coletiva). Mostre onde tem banheiro, água, telefone, local para caminhar, banheiro para o acompanhante, chuveiro, bola, e tudo o que pode ser útil. Se ainda for fase inicial, explique que é complicado internar assim tão precocemente. Incentive-a a voltar pra casa por algumas horas (se for perto) ou a dar um passeio a pé, até as contrações ficarem mais fortes.

5) Não realize lavagem intestinal, nem tricotomia, nem qualquer procedimento de rotina na internação. Não ligue soro com ocitocina. Deixe o trabalho de parto evoluir normalmente. A ocitocina só deve ser utilizada em casos de distócia de progressão. Lembre-se que a ocitocina pode causar anóxia e óbito fetal. Ocitocina não é remédio pra "ajudar". Ocitocina é uma droga potentísssima e perigosa.

6) Não rompa bolsa, a não ser em caso de distócia de progressão ou de sofrimento fetal (para verificação de mecônio). Deixe que a natureza se encarregue disso. Se nada for feito, a bolsa se romperá naturalmente entre 7 e 10 cm de dilatação, ou durante o período expulsivo. Ruptura artificial da bolsa das água é o maior fator de risco para prolapso de cordão.

7) Examine apenas o necessário. Tirando a ausculta fetal, que é fundamental para sabermos a vitalidade do bebê, não há porque ficar fazendo toques vaginais de hora em hora. Na fase ativa, podem haver intervalos de até 4 horas entre um toque e outro. Não deixe que mais de um profissional realize o toque. Peça licença. Pergunte se ela prefere que seu acompanhante permaneça ou saia durante o exame. Não assuma que você sabe como ela se sente, nunca! Sempre elogie o progresso, e como ela é forte, e como ela está lidando bem com o trabalho de parto. Se a bolsa estiver rompida, especial cuidado! O parto pode demorar quantas horas for necessário com a bolsa rompida, mas os exames de toque aumentam o risco de infecção. Quando necessário tocar, use luvas estéreis, principalmente no caso de bolsa rota. Hoje em dia existem luvas para toque plásticas, estéreis, embaladas individualmente e de baixo custo.

8) Se for realizar cardiotocografia, não deixe o aparelho ligado por mais de 20 minutos, explique que o alarme não significa problemas, que em geral é porque houve perda do foco pelo aparelho, desligue imediatamente logo após terminado, e dê liberdade de posição durante o exame. Não é necessário que a mulher esteja deitada.
 
9) Incentive a mudança de posição, deambulação, banho de chuveiro e banheira, uso da bola, descanso em diferentes posições. Não é necessário seguir um circuito pré estabelecido. Explique apenas que ela não está doente e que deve confiar em seu corpo. Explique sobre a importância de não ficar numa só posição o tempo todo. Mostre técnicas de massagem para o acompanhante. Incentive o uso do chuveiro para alívio da dor. Ofereça sucos, água e alimentos.

10) Conforme chegar mais perto do expulsivo, explique os sintomas e peça ao acompanhante que chame caso um desses sintomas seja referido. Não faça dilatação manual do colo, pois esse é o maior fator de risco para laceração de trajeto. Aguarde a evolução natural. Não coloque a mulher "em posição". Dê liberdade durante o período expulsivo. Dê preferência a posições verticais, como a banqueta de parto, por exemplo. Não é necessário realizar antissepsia dos genitais.

11) Deixe a mulher fazer força conforme sente vontade, não fique guiando, gritando ordens ou pedindo que ela prenda a respiração e faça força comprida. Deixe que ela sabe o que fazer. Bebês nascidos sob manobra de Valsalva têm notas de Apgar em média menores do que os nascidos sob puxos espontâneos. Não fique colocando os dedos na vagina dela para "alargar" o canal. A vagina é tecido mole, não segura o bebê. Se for possível abaixe a luz, deixe alguma música (se ela gostar da idéia), fale baixo. Evite falar, na verdade. Faça apenas a ausculta a cada 10-15 minutos. Lembre-se que desacelerações durante a contração são normais, ainda mais no período expulsivo.

12) Dê tempo ao tempo, lembre-se que o período expulsivo de uma primigesta pode levar até 2 horas, às vezes até mais, desde que esteja havendo progresso e a ausculta esteja boa. Quando o bebê estiver coroando, convide a mulher a sentir a cabeça do bebê com a mão, e assim controlar a força e a expulsão. Proteja o períneo com uma compressa. Não empurre o fundo uterino, nem com a mão, muito menos com o cotovelo. A Manobra de Kristeler pode provocar lesão de fígado, de baço, ruptura uterina, descolamento de placenta, fratura de costela e hematomas, entre outros problemas.

13) Dê tempo para a cabeça subir e descer várias vezes, alongando o períneo. Isso evitará laceração. Não corte episiotomia, por favor. O maior risco de laceração de quarto grau ocorre quando se abre uma episiotomia. Lacerações em geral são pequenas, a maioria nem sutura necessita. Cerca de 70% das mulheres saem com períneo intacto.

14) Após a saída da cabeça, não puxe o bebê. Deixe que a próxima contração traga o resto do corpo. Isso pode levar 5 minutos. Lembre-se que o bebê está sendo oxigenado pelo cordão. O bebê pode nascer sozinho apenas com as contrações uterinas. Receba o bebê com delicadeza, enxugue-o delicadamente, sem esfregar. Sinta a pulsação do cordão, se estiver acima de 100, o bebê está bem. Ainda ligado ao cordão, coloque o bebê em contato pele a pele com a mãe e cubra-o, para prevenir a perda de calor. Não corte o cordão. Espere que ele pare de pulsar. Cerca de 1/3 do volume de sangue do bebê está no cordão e placenta. Deixe que esse sangue vá para o bebê.

15) Com a mãe ainda segurando seu bebê no colo, aguarde a placenta sem tracionar. Verifique apenas que o útero esteja contraído. Isso pode te dar a segurança que você precisa para deixar a natureza cuidar da placenta sem intervenções. Se houve fator de risco para hemorragia pós parto, aplique ocitocina intra-muscular e aguarde.

16) Se for necessário suturar, faça-o com anestesia suficiente para que a mãe não sinta dor. Se ela disser que está doendo, acredite: está doendo. A dor faz aumentar a adrenalina, diminuindo a produção de ocitocina: pior para o aleitamento, pior para a hemorragia pós parto. A amamentação na primeira hora de vida é prioridade e é a melhor forma de prevenir a hemorragia.

17) Após a primeira mamada e o cordão já cortado, pergunte se o pediatra pode examinar. Se possível o exame deve ser feito na própria sala de parto. Se não for possível, peça ao pai para acompanhar o exame. Enxugue melhor o bebê, com delicadeza. Corrija o corte do cordão, se necessário. Não aspire um bebê que respira. Pingue o colírio de escolha, de preferência abandone o nitrato de prata, menos efetivo, cáustico e doloroso. Substitua por antibiótico ocular. Deixe vacinas e vitamina K para as horas seguintes ao parto. Pese e identique o bebê. Devolva o bebê para a mãe imediatamente após o exame e diga a ela os dados relevantes.

18) Leve mãe, bebê e acompanhante para o quarto, na mesma maca, e favoreça o alojamento conjunto.

19) Da série "Um plus a mais": obstetrizes/enfermeiras obstetras para todas as mulheres; doulas voluntárias e permissão de entrada da doula contratada pela mulher, analgesia peridural para mulheres que esgotaram todas formas alternativas e não farmacológicas de controle da dor do parto; quartos com ambientação agradável; banheira para relaxamento e para o parto na água (aguarde nota sobre como atender um parto na água); uso de vácuo no lugar de fórceps sempre que possível (e necessário, claro).

20) Da série "Nunca é tarde pra lembrar": residentes e estudantes estão lá para aprender SE e QUANDO a mulher permitir. Mulheres e bebês não são cobaias. Parto não pode ter platéia. Não é humano colocar 6 estudantes observando a vagina de uma mulher. Nâo é humano colocar 6 estudantes e residentes para meter seus dedos nervosos em vaginas de mulheres com dor, assustadas e embaraçadas. Por favor, tome cuidado com a presença dos estudantes e sempre peça permissão à mulher. Sempre!
Por incrível que pareça, essas atitudes são o que chamamos de "Parto Humanizado". Para quem achava que parto humanizado envolvia o canto de mantras, a degustação da placenta e todos pelados na banheira, talvez seja uma decepção. Para quem milita pelo direito a um parto tranquilo para todas as mulheres, do SUS ou do sistema privado, é um grande alívio.

Imprima esse texto e entregue isso ao seu obstetra ou ao hospital público onde vai ter o seu bebê. Explique que é apenas isso que você deseja para seu parto.


Já estava escrito nas pedras!
Já estava escrito nas pedras!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Relato de Parto Maria Elaine. Nascimento de Bernardo

Relato de Parto – Maria Elaine e Bernardo. 
19 de Março de 2012
Parto no Centro de Parto Normal da Mansão do Caminho

Relato de Parto – Elaine e Bernardo.

(Escrevendo de novo porque perdi tudo na primeira vez...)

Engravidei no início de julho, mas só no início de agosto eu fui descobrir... A descoberta: estava trabalhando em SP e recebi uma ligação no início da manhã de uma amiga querida: - Sonhei que você estava grávida!  E eu quase que de sacanagem, durante a noite, passei numa farmácia pra comprar um teste (pra mim era super normal ter a menstruação atrasada, pq tenho ovário policístico, endometriose e outras coisas complicadoras de gravidez). Fiz: POSITIVO? Liguei pro Lucas: - De novo essa brincadeira, amor? Eu:  - Gostaria muito de estar brincando... E assim começo a história! Ficamos unidos, mas confusos, buscando informações enquanto anunciamos para todos a grande novidade não planejada.  Daí uma querida amiga de Recife, a Carina Albuquerque (doula em formação) veio conversar sobre o processo da gravidez e me falou sobre a doulagem. Eu: - Ahn? Doula? É de comer? Pesquisei... Decidi com o Lucas: - queremos e precisamos de uma doula! Pesquisamos e achamos a Chênia, uma fofa, super embasada, cheia de informações interessantes e desconhecidas. A essa altura eu j[a havia trocado de médico umas 3 vezes... nenhum me satisfez! Achei um que considerei bom, e continuei me informando sobre partos. Enfim... Defini: parto natural na casa de parto de Salvador, recém inaugurada! A essa altura também sabia que um parto natural em hospital com meu obstetra não rolava mesmo, mas não me sentia tão segura de parir em casa. Definimos e ficamos quietos porque nem todo mundo ia entender e iríamos ser tachados de irresponsáveis (como fomos quando minha mãe soube que o neto dela nasceu numa casa de parto, mesmo dando tudo certo).
Enfim, 38 semanas e 3 dias. Um dia depois de pedir a licença do trabalho, acordei e vi sangue meio melecado numa das inúmeras idas ao banheiro! Liguei pra Chênia as 5h da manhã, tadinha, e fiquei com medo... Fui pra Casa de Parto!  1cm de dilatação! Ah, isso poderia durar dias! Nem encanei, mas de todo modo eu fui me preparando pra tudo. Arrumei a mala do Bernardo, a minha, limpei o quartinho dele... Fomos almoçar fora, passeamos a tarde, caminhei, namoramos, tomei chá de canela, recebi um casal de amigos de Recife, fomos jantar fora... Enfim, tava tudo normal, e eu com contrações irregulares e sem dor.
No outro dia, também estávamos bem tranquilos, levando as atividades normais, nos preparamos (caminhada, banho quente na bola, namorinho, chá... ) As 16h, a primeira contração dolorida... Fui pra piscina! 16:07, 16:15, 16:23... Ritmadas e doloridinhas... Contamos 7 e eu falei: estou em TP! Vamos sem erro... Liguei pra Chênia, ainda meio sem querer alarmá-la. Durante o caminho eu não tive dúvida: Chênia, vem logoooooo!
Cheguei lá em plena contração... Dei todos os documentos na recepção, e fui direto pro banheiro... Contrações fraquinhas comparadas com o que eu iria passar, ainda não me achava na partolândia! Admissão: 3 pra 4 centímetros, colo fino... Me internaram. As técnicas fofas vieram me acompanhar pra sala 1 de PPP, a que tem banheira! Mas, tava quebrada... =(. Elas elogiaram meu bom humor e minha calma (cheguei sorridente e simpática com todos, tava adorando estar ali). Contrações mais curtas, mais doloridas, mas ainda com brincadeiras com o Lucas... Tiramos fotos no chuveiro, sentada na bola, fazendo pose de modelo, sinal de legal no meio das contrações. Aí chega a obstetra, nem guardei o nome... Achei ela meio chatinha, tipo, o santo não cruzou, mas nada que me tirasse do processo lindo que estava. Ela me explicou como era o esquema do partograma, e se por acaso tivesse algo de errado, quando ela deveria agir (transferir pra um hospital pra cesária)... Achei interessante ela ir me explicar, mas não gostei muito da abordagem. Enfim, nada daria errado, e isso não me abalou... Daí, chega a Gertrudes, enfermeira obstetra: - Senta no cavalinho que eu vou te partejar!... Ai, gente, que sonho de parteira... Ela usou aromas de flor de laranjeira e capim santo, me massageou pra aliviar as dores, e eu tava me sentindo muito bem, mesmo já estando com contrações fortes. Foi minha entrada na partolândia... Dor, dor, dor, transe... Chênia chegou, depois que a Gertrudes falou com as pessoas certas para autorizarem a entrada dela na CP (só pode um acompanhante). Ufa, silêncio, exame: 7 cm! Esta indo muito bem... Contrações longas e ritmadas. Só queria abraçar meu marido! 
Chênia me massageou um pouco no cavalinho, mas não era meu lugar. Deitei, mesmo sabendo que poderia doer mais, e que as massagens iriam ficar mais difíceis. Lucas me ajudou a respirar bem... Exercício de três pessoas (eu, ele e Bernardo). Estavamos tão integrados... Foi lindo. Dor, dor, dor... A obstetra  veio me falar de romper a bolsa. Eu falei: - E se eu não quiser? Ela: - Ainda estou em condição de negociar... Podemos deixar pra depois. Deixamos... Eu em transe, fui tomar banho! Meu marido foi pra debaixo do chuveiro comigo, se molhou todo, mas era o apoio que eu precisava. Fui ver o céu, que tava lindo lá fora, fui fazer minhas orações.. Minha mãe ligando, pense numa agonia (bem que Lucas falou!), mas tava tudo bem! Pensei: vou autorizar estourar a bolsa. Sábia decisão! Na hora o Bernardo respondeu: 9cm de dilatação e Bernardo cada vez mais baixo, LA claro, batimentos ótimos! Fiquei tão animada que ainda fiz uma brincadeirinha intima com meu marido... Ele riu baixinho no meu ouvido e falou: safada! Rs... Fui  no banheiro pq tava com vontade de fazer cocô... Arriei nos braços do Lucas na contração mais forte que tive e saiu tudo de lindo: cocô, xixi, LA...  Tava nem aí! Depois disso, formos pra cama e eu me coloquei de quatro pra fazer força, senti necessidade de fazer força, era instintivo! Fiz força algumas vezes e fui pra posição final, semi deitada com as pernas bem abertas! Vem Bernardo, vem meu filho... E ele ouviu, mas eu tava muito cansada! Ele tava bem (o batimentos estavam bons), e todos ficaram me esperando... E eu pegando forças num sei de onde, concentrada com cara de poucos amigos! Fiz umas 5 forças, guiada pela Gertrudes pra evitar laceração... Me colocaram ocitocina pra me ajudar, mas NÃO CAIU UMA GOTA (huahuahua).

Enfim, Bernardo veio, cabecinha pra fora, uma circular de pescoço, corpinho pra fora as 0h01min de 19 de março de 2012, 2 pontos de laceração... Veio  a placenta! Agradeci a ela por nutrir meu filho... E nós alí, nos namorando, eu, Lucas e Bernardo! Foi lindo... Perfeito, natural, tranquilo. E eu sou a mãe mais babona do mundo! Obrigada a todas as mulheres que me inspiraram e me ajudaram a estar fazendo esse relato lindo, que resume por alto o momento mais importante da minha vida! <3

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Roda de Conversar Parto Normal Após Cesárea: podemos parir!



A Uneb, através do projeto de Extensão Acolhendo a Gestação convida a todos interessados pelo tema, a participarem da Roda de Gestantes Parto Normal Após Cesárea: podemos parir.
Para fazer sua inscrição clique aqui e preencha o formulário.

Nesta Roda abriremos espaço para reflexão sobre a viabilidade de parto normal após cesárea(s).
O que é VBAC ou PNAC?

VBAC (vaginal birth after cesarean) ou PNAC (parto normal após cesárea) é quando a mulher tem um parto normal após ter tido uma ou mais cesarianas. Conseguir um VBAC ou PNAC é possível para a maioria das mulheres. Uma cesárea não é indicativo de outra. É necessário que a mulher tenha: vontade ter um parto normal, uma gravidez saudável de baixo risco, confiança no poder do seu corpo, acompanhamento de uma equipe de saúde competente e que partilhe da mesma opinião.
Várias mulheres tiveram a experiência de terem seus VBAC’s após uma, duas ou três cesáreas. Vamos conversar com essas mulheres, ouvir seus relatos de parto, tirar dúvidas, conhecer os seus bebês e saber como e onde seu parto normal é possível.

Programação da Roda
08:00 Recepção aos participantes
08:30 Exposição de fotos e vídeos sobre o tema
9:00 Abertura da roda com relatos de experiências
10:00 Lanche
10:30 O que dizem as evidências científicas sobre VBAC ou PNAC?
11:30 Encerramento e avaliação dos trabalhos

Local
UNEB - Auditório do Departamento de Ciências da Vida I
DATA 10 de Maio de 2013 | 08:00 às 12:00 h

PÚBLICO ALVO : evento gratuito e aberto a todos interessados pelo tema.
INFORMAÇÕES 71 3117-2461 (Procurar Chenia)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Doulas na luta pela humanização do parto

Chenia d'Anunciação no parto de Vanessa Pimenta.
Foto de Hellen Chang
Conheça o trabalho das doulas, que vem ganhando visibilidade nos últimos anos

Dar um suporte contínuo a gestante, prestando assistência física e psicológica, favorecendo a evolução do parto e o bem-estar da mulher, lhe transmitindo confiança e encorajamento durante o trabalho de parto, estes são uns dos trabalhos de uma doula. Significando ‘mulher que serve’, em grego, os benefícios de ter uma doula neste momento tão delicado na vida de uma mulher está ganhando visibilidade nos últimos anos, mesmo sendo uma ocupação muito antiga.

 Com várias mobilizações no Brasil em prol do parto humanizado, em um país líder mundial em cesarianas (em 2010, o Brasil atingiu a taxa de 52% de cesáreas anormais, na rede privada de saúde a média é que apenas 18% dos partos são normais, quando o recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de que apenas 15% das mulheres devem precisar passar por este procedimento para ter seus bebês), as doulas fazem um importante papel de conscientização de que gravidez não é doença e sim algo natural.

“Na verdade, é uma assistência que uma mulher presta a outra. O trabalho da doula é ajudar na preparação do pré-parto, assistir o trabalho de parto e dar assistência no pós-parto. Eu marco dois encontros oficiais, no primeiro eu converso com a mulher e fazemos o plano de parto, que é uma carta que ela explica como vai querer seu trabalho de parto, discutimos minuciosamente os itens, se ela deseja tomar anestesia, se deseja comer, caminhar livremente, se ela aceita ter sua bolsa rompida de rotina, se aceita ocitocina sintética e se for necessário uma cesariana, como é que ela quer que seja esta assistência. Isso ajuda a visualizar a hora de dar a luz, ela fica sabendo de todo o procedimento da rotina hospitalar, ou se desejar domiciliar, conhece a fisiologia de parto e até como deve se comportar. Tudo isso, a gestante também vai discutir com o médico dela e vai explicar que quer uma doula no centro obstétrico e no seu apartamento. Durante o acompanhamento, eu forneço textos informativos, artigos científicos e comunidades de discussão na internet”, explica Chenia da Anunciação, que é doula há dois anos.

 No segundo encontro, é realizado um treinamento para a hora do parto, quando são apresentados óleos para aromaterapia e massagens, são feitos exercícios com a bola suíça e, se o parto for domiciliar, toda a estrutura é analisada. “Eu mostro os óleos que uso, ela sente os aromas, explico a ação de cada um, da lavanda, da canela, do alecrim. Alguns servem para ajudar a relaxar, outros para dar uma intensificada nas contrações. Fazemos um treinamento com a bola, junto com o marido dela ou com alguém que vai acompanhá-la. Se o parto for domiciliar, a gente pensa na estrutura da casa, onde vai colocar piscina, tudo o que vai precisar, a gente faz todo este preparo”, disse Chenia.

O parto

Diferente de uma enfermeira obstetra ou uma parteira, a doula não tem autorização para fazer nenhum procedimento clínico como ausculta fetal, aferir pressão ou exame de toque vaginal. Quando entrar em trabalho de parto, a gestante liga para a doula, que fica disponível a qualquer hora do dia ou da noite. “Então eu vou para a casa dela, ficamos lá um tempo e depois a gestante é encaminhada para o hospital. Lá eu assisto o parto, sempre junto com uma enfermeira obstetra ou com um obstetra, nunca sozinha, mesmo em partos domiciliares. Eu fico no hospital até umas duas horas depois do nascimento do bebê. Uma mulher assistida por uma doula é diferente de quando ela está sozinha dentro de um hospital, ela se sente mais segura. Damos total apoio psicológico, tem uma hora no trabalho de parto que a mulher tende a fraquejar, quando já está chegando no final, que ela fala que não agüenta mais, está cansada, é quando as contrações ficam mais intensas. Então este é o momento que a gente olha no olho dela e fala que ela pode, que ela se preparou para isso, que ela acredite. Nós encorajamos, fazemos massagens, relaxamentos, aproximamos o companheiro dela, levamos instrumentos como um espelho, quando ela acha que não vai dar conta e ela vê o bebê coroando, então ela tira mais força”, afirmou a doula.

Depois do parto, outra visita é feita, quando a mãe já está em casa. A doula dá orientações sobre amamentação, pergunta à mulher como está à relação com o marido, como ela está se sentindo emocionalmente e como foi à experiência do parto.


Reconhecimento

 A profissão de doula ainda não foi reconhecida pelo Ministério do Trabalho, mas passa a constar, a partir deste ano, na lista da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Para ser doula é necessário fazer um curso preparatório, que é disponível em diversas capitais. “Depois que eu fiquei grávida, eu descobri como é difícil parir aqui no Brasil. Um ano depois do nascimento da minha filha, eu fui para São Paulo fazer o curso de doula, temos cursos sérios em todo o Brasil. Foram 32 horas de aulas, onde aprendemos a fisiologia do parto, identificar qualquer tipo de emergência e intercorrências como se, de repente, o bebê nasce sem a mulher ter chegado no hospital, o que devemos fazer. Mas, é a prática que dá a maior dimensão disso tudo. Já dei assistência a mais de vinte mulheres, nesses dois anos, e é uma procura crescente. As mulheres sabem que parir é algo fisiológico, é natural, quando ela procura uma doula, é para que possamos ajudar a gestante nesse processo de transição”, afirmou Chenia.

 A presença de doulas no centro obstétrico gera diversas opiniões entre os médicos, alguns são favoráveis, e inclusive recomendam que a mulher tenha o acompanhamento de uma, porém, outros acabam se incomodando. Para Chenia, isso acontece porque a doula acaba atrapalhando um pouco a rotina do médico. “Isso na visão dele, porque como a gente faz o serviço de informar a mulher, de dar poder a ela, de deixá-la ciente de si, que quem faz o parto não é o médico, é ela e o bebê, que o parto está no corpo dela. Uma mulher com este poder, não vai deixar o obstetra romper a sua bolsa com apenas cinco centímetros de dilatação ou não vai acreditar quando dizem que ela tem que ir para a cesárea porque o líquido dela está baixo ou alto, porque o bebê é grande ou é pequeno, que ela não tem passagem. Infelizmente os médicos usam vários artifícios para levar a mulher para a cesariana”, revelou a doula.

 “A emoção de ver nascer um bebê é muito grande, eu sempre choro, porque eu acompanho a história de vida da mulher, conversamos muito, a gente acaba criando um vínculo. É muito emocionante porque quando nasce um bebê, nasce também uma mãe, um pai, nasce uma família, é um momento mágico, tem que ter olhos atentos para a gente ver”, revelou Chenia.

FONTE: Da Redação

Matéria publicada no Jornal Folha do Estado de Feira de Santana-Ba.
http://www.jornalfolhadoestado.com/noticias/10246/doulas-na-luta-pela-humanizacao-do-parto

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Doula a quem doer


Ana Cristina Duarte
Quando em 2001 o primeiro curso de formação de doulas teve lugar no Brasil, por iniciativa de um médico obstetra, ninguém poderia imaginar a importância que essas profissionais teriam num futuro tão próximo. Naquela época raras pessoas sabiam o que era uma doula e sua função. Apesar de ainda hoje se fazer muita confusão, muita gente já conhece as funções a elas atribuídas, sua importância e seu papel no cenário da assistência ao parto.
A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia - www.carlaraiter.com
www.carlaraiter.com
A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia
Doulas são mulheres treinadas para dar suporte durante o parto. Embora elas não possam executar a parte técnica da assistência, têm papel importante durante o processo, o que faz a maior diferença nos resultados. Em outras palavras, pensando num mesmo público, mesma maternidade, mesma equipe de médicos e enfermeiras, são as mulheres acompanhadas por doulas as que serão mais beneficiadas. Os estudos mostram redução de 20% nas taxas de cesariana e de 30% nos nascimentos de bebê com baixa nota nos primeiros minutos de vida, para citar alguns parâmetros, tudo isso sem nenhum efeito deletério.
Os dois modelos de atuação são as doulas do setor privado, remuneradas por seu trabalho de atendimento a clientes que as contratam, e as doulas voluntárias, que trabalham no sistema público sem conhecer anteriormente as gestantes que vão atender. Nos países do primeiro mundo, como Estados Unidos por exemplo, as doulas já estão ativas na assistência há mais de 30 anos.
No Brasil existem entre 2 mil e 4 mil doulas atuantes entre os dois setores, embora não haja um número oficial ou um cadastro único. Neste 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho lançou a nova versão da Classificação Brasileira de Ocupações onde figura, pela primeira vez, a ocupação de doula. Não existe uma profissionalização oficial, tal qual ocorre em outras ocupações em que não há execução de procedimentos de risco para a população. Tal qual fotógrafos e cinegrafistas que adentram o recinto do parto, as doulas não executam procedimentos médicos ou de enfermagem, não oferecendo, portanto, riscos à população. As funções básicas da doula são: acompanhar, acalmar, oferecer suporte emocional e físico, realizar massagem localizada, sugerir movimentos, respirações, atitudes, enfim, uma miríade de ferramentas que ajudam a mulher a atravessar o intenso processo que é dar à luz um bebê.
Uma grande polêmica ocorreu essa semana quando dois grandes hospitais privados da capital paulista proibiram a presença de doulas nos partos, alegando risco de infecção, e recuaram após imensa repercussão na mídia e nas redes sociais. A questão, no entanto, passa longe dos alegados riscos.
Estamos falando de relações de poder, de interesses econômicos, de falta de gerenciamento do setor privado.
Uma boa parte dos hospitais privados do Brasil apresenta taxas de cesarianas superiores a 90%. As cesarianas marcadas são o pilar de sustentação financeira das maternidades privadas. Partos normais, apesar de mais seguros, causam prejuízo, ocupam imprevisivelmente o leito por muito tempo, dão trabalho à enfermagem, não têm hora para ocorrer e não podem ser controlados. Doulas, acompanhando mulheres em trabalho de parto que querem muito um parto natural, perturbam a ordem natural de um centro cirúrgico estruturado para cesarianas pré-agendadas. Doulas pedem água, alimentos e explicações. Mulheres acompanhadas de doulas desobedecem às regras da instituição, questionam, desafiam. Pais acompanhados de doulas são mais protetores e questionadores. Doulas incomodam, partos normais incomodam.
Enquanto todos os setores do nosso país não assumirem que as mulheres estão sendo roubadas em seus partos, tanto no setor privado, com suas cesarianas agendadas, quanto no setor público, com seus partos altamente medicalizados e violentos, não poderemos avançar de fato nas crises profissionais. O problema não são as doulas e sua regulamentação. O problema não são as alegadas infecções provocadas pela presença de mais um acompanhante. Estamos falando de um processo de violência coletiva que vem se perpetuando há décadas em nosso país, sob os olhos semicerrados do governo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde, das secretarias.
Se nem a Lei do Acompanhante é obedecida em mais da metade das instituições paulistas, o que se dirá de uma iniciativa que deve ser tomada de livre e espontânea vontade pelas instituições para melhorar a assistência às mulheres que desejam um parto suave, prazeroso, positivo, acolhedor? Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as doulas continuarão a ter um papel fundamental nesse processo.
ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA) E AUTORA DE PARTO NORMAL OU CESÁREA? O QUE TODA MULHER DEVE SABER - E TODO HOMEM TAMBÉM (UNESP) 

Matéria publicada no jornal Estadão de São Paulo


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Plano de Pós Parto


Muitas famílias organizam a gestação e parto dos seus rebentos. Atualmente as mulheres tem optado por fazerem o plano de parto, que é uma carta onde ela e o companheiro descrevem o que querem ou não durante o trabalho de parto, parto e assistência ao recém nascido. Não é uma carta de exigências, mas de desejos, que podem ser alterados de acordo com o desencadeamento do trabalho de parto e do parto. 

Chenia, Zaya e Onildo
O que venho falar aqui é que depois de 40 semanas (aproximadamente quanto dura uma gestação) de planejamentos e preparativos, quando se está com o bebê em casa, muitas se dão conta de que, para além do plano de parto deveriam ter feito também um plano de pós parto. 

A legislação vigente só concede ao pai, licença paternidade de 5 dias, talvez por compreenderem que o pai na verdade, só deve ter tempo de registrar os seus filhos, haja vista tantas campanhas do ministério público prol o reconhecimento de paternidade. E nenhuma por parte do governo para paternidade presente e consciente. 

Durante o pós parto, assim como na gestação e no parto, a mulher passa por várias mudanças biológicas, psicológicas, relacionais e sociais. Diminuição do estrogênio e progesterona e aumento na produção da prolactina. Essas mudanças podem ser intensificadas por uma imposição social que imputa à mulher a condição de ser mãe e junto a isso amorosa, dedicada, e capaz de despender qualquer sacrifício, sem sentimentos de perdas, por sua prole e pela família. 

Soneca de Zaya
Fatores como baby blues, depressão pós parto, fadiga excessiva, queda de cabelos, manutenção do peso anterior a gestação, falta de apetite sexual, nesse modelo de supermãe, não são condizentes com a boa mãe. Cobranças são feitas a todo o tempo de forma velada ou explicita, afinal a mulher moderna tem que estar pronta para desempenhar diversas funções simultaneamente, sem fraquejar, sem reclamar, pois não é isso que queríamos, que lutamos, que queimamos sutiãs? 

As mudanças significativas na assistência ao parto começam a ser efetivamente implantadas no Brasil em finais do século XIX, quando a medicina, tomou as rédeas desse evento. Até então, mas não somente, as mulheres eram cercadas por outras durante a sua gestação, parto e pós parto. Eram feitos rodízios de comadres, amigas, parteiras, mães, avós... todas essas estavam envolvidas no cuidar da outra e guardavam consigo o segredo e a magia que cercavam o gestar, parir e maternar. 

Dois séculos depois, após o parto, aquela que recebia telefonemas, visitas, emails, para saber de si durante a gestação, muitas vezes ficam por conta própria para os cuidados com a nova cria, da família, da casa e do trabalho. O foco agora é o bebê, ele é quem precisa de toda atenção e cuidado, a mulher é sutilmente negligenciada. 

E assim começa aquilo que chamo de esquizofrenia da menas main, tem que ser mãe, tem que amamentar exclusivamente em livre demanda, tem que manter o lar arrumado e limpo, as outras crias( quando hão) impecáveis! Tem que ser boa esposa, receber bem as visitas e ainda se manter em forma, linda, bela. Não há espaços para senões, para fraquejamento. 

Com a nova rotina instalada, como dar conta dos novos afazeres, da nova vida? 

Pensar em como serão esses primeiros dias, sobretudo os 30 primeiros, é indispensável para saúde materna, do bebê e da família. 

O bebê passa a ser um ente público, todos querem ver, render graças, ver sorrir, tomar banho, mamar, enfim, alguns até protagonizam o seu próprio reality show nas redes sociais, que dão notícias da vida cotidiana, quase que online, e ai daqueles que queiram isolar-se dela. 

Não somente na maternidade, mas atualmente as vidas que, por uma regra de conduta burguesa do início do século XX, deveria se manter privada, hoje, voltamos a publicização escancarada e por vezes, mal elaborada das nossas intimidades. 

Visita da Dinda Reijane dos primos Micael e Larissa e do Tio Mica
O ideal é organizar sua rotina.
Agende suas visitas, mande-lhes carta de comportamento, explique que agora o momento é outro. 

Por mais que as apelações externas venham: parentes que moram distantes, que moram perto, amigos e afins, você deve se preservar durante o puerpério, abrindo portinholas aos que lhe farão bem, sem culpas. 

Explique que não é acertado fazer visitas pelo menos 30 dias depois do parto. O primeiro mês é o mais delicado, a família está se adaptando a nova rotina com o filhote e este idem, é preciso deixar espaço e ser necessário quando convidado e não quando se quer ser. 

Se as visitas forem imprescindíveis estabeleça regas como horários, tempo de duração e arranjos caso algum empecilho ocorra como: desconfortos do bebê, cansaço da materno, ou tão somente falta de disponibilidade em atender quem chegou, sem pesar, sem ressentimentos. 

Afaste-se dos palpiteiros de plantão (Seu leite é fraco, eu dava mingau a noite, seu marido não vai aguentar essa rotina, não há problemas em dar leite A ou B, e sobretudo os da teoria criei 100 com leite de lhama com achocolatado e não morreu nenhum, vai saber... a morte física não é a pior morte, existem muitas subjetividades).
Agora é sua vez de maternar e insegurança pode e deve aparecer, pessoas que só fazem lhe deslegitimar não ajudarão em nada, só trarão suas próprias inseguranças para somar as suas, não é hora de ser terapeuta do outro. 

Você precisará de companhias, que respeite o seu momento, e que estejam prontas a ajudar de fato. Alguém para ficar com o bebê para que possa tomar um banho mais demorado, para tirar um cochilo, mas sem que isso seja uma imposição, mas uma necessidade partindo de você. 

Se puder, tenha uma diarista para dar conta dos serviços domésticos, ou talvez pessoas da família que estejam dispostas a ajudar sem cobranças, as visitas também poderão colaborar lavando pratos, catando as fraldas, fazendo uma comida, enfim, você é a dona da varinha de condão. 

Reunião da Aldeia Materna
Construa seu círculo feminino, sua Aldeia Materna, mulheres amorosas, aquelas que poderão lhe dar um help naquela hora em que o bebê está com cólicas, que dispõe de "5 minutinhos" no telefone para você contar o dia, chorar as pitangas, dizer o quanto seu bebê é lindo, fofo e está tão feliz, ou não, pois não estar feliz não lhe faz uma mulher atípica, muitas de nós passamos por isso, então compartilhe, se desejar, com pessoas que poderão lhe ajudar de fato. 

Envolva seu companheiro nesse processo, afinal quando nasce uma mãe, nasce também um pai, que cada vez mais está presente e ativo na paternidade consciente. Momentos como tomar um banho de chuveiro com o bebê ajuda nessa formação do vínculo dá uma trégua para você e reforça os laços familiares. 

Saia da teoria de que homens não sabem cuidar, pegar ou trocar o bebê, ser pai e mãe é um construção social e  psico-afetiva. 

Converse com seu companheiro, ouça ele também, estabeleçam momentos de intimidade nem que seja para ficarem juntinhos numa sonequina, ou vendo um filme, sem pensar se dará tempo de ver os créditos. 

Avó materna Sisi e avó paterna Lindinha
As avós (materna ou paterna) em geral estão dispostas a colaborar, tendo o know-how de  sua experiência materna, conte com elas, são de grande ajuda, mas peça licença para maternar! Afinal a mãe agora é você, estabeleça limites, é muito importante para sua estima, saúde e crescimento e claro uma mãe tranquila e segura terá muito mais chances de ter um bebê idem. 

Não tenha receio de ter um calundu homérico. Depois de um tempo coloque a culpa nos hormônios e se for o caso peça desculpas kkk. 

Pessoas sensíveis entenderão os seus motivos, seus desejos, lhe respeitarão! 

Eu, Onildo e Zaya - Foto de Ieda Marques

Essas são algumas considerações que faço pensando nos diversos relatos de mulheres, que vi, que li, que convivi e também na minha experiência como mãe, mulher, doula e artesã de slings. 

Um caminho de luz para essa nova família!