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terça-feira, 9 de março de 2021

Coletivo Doulas Pretas e o 8M - Salvador

Nós saudamos todos os ventres e mulheres que tornam possível nossa existência.
Que fortalecem nossa caminhada diariamente.



Nós saudamos todas as mulheres que permitem nossa presença no momento sagrado de parir, no processo de gestar. Saudamos os ventres que se dispõem a aprender e estar conosco! Nós somos gratas!
Há uma longa caminhada ainda a percorrer e que alegria é estarmos juntas, fortalecendo, cuidando, dando afeto e amor uma para a outra. Isso para nós é fundamental!
Enquanto mulheres negras que somos, sabemos que a luta é diária e dobrada, por isso damos graças por sermos ponte e força uma da outra e por conseguirmos contar com essa rede tão fundamental que nos rodeia.
É só o começo!

#8M
#coletivodoulaspretas
#doulaspretas
#doulapreta
#doulaspretasdabahia
#doulasdabahia





sábado, 1 de fevereiro de 2020

1ª Formação de Doulas Negras - Coletivo Doulas Pretas - Salvador/Ba



POR QUE FORMAR DOULAS NEGRAS? ⠀⠀
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UM DEBATE SOBRE A ELITIZAÇÃO DO PARTO HUMANIZADO E A NECESSIDADE DE MAIS DOULAS NEGRAS ⠀⠀

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Quando o assunto é o 1º Curso de Formação de Doulas Negras que acontecerá nos dias 10 a 12 de Janeiro de 2020 em Salvador – BA, não tem sido incomum as perguntas "Mas se é só para mulheres negras não é racismo reverso?" ⠀⠀
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Diante disso, decidimos colocar em pauta também algumas perguntas importantes: Quantas doulas negras você conhece? Quantas mulheres negras que você conhece tiveram acesso, informação ou condições de bancar um parto humanizado? ⠀⠀
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Nosso coletivo surge a partir da união de 5 mulheres negras que compreenderam a necessidade de enegrecer a cena do parto. Sim!⠀⠀
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Enegrecer a cena do parto é a tarefa do dia! Muito se fala sobre a humanização e o quanto um parto e um nascimento respeitoso são necessários. Muito se fala sobre violência obstétrica, mas é importante destacar que as mulheres negras são as que mais sofrem Violência Obstétrica, as que têm menos acesso ao pré-natal, as que mais peregrinam em busca de atendimento e infelizmente as que mais morrem por morte materna, assim como seus bebês. ⠀⠀
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Segundo os dados do Boletim Epidemiológico de óbitos na Bahia, 2018 esse número é alarmante, cerca de 84% das mortes maternas estão entre mulheres negras e pardas.⠀⠀
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Esses dados expressam como no momento do parto, a cor da pele determina como será o tratamento de quem pari, nasce e sobrevive⠀
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Aconteceu em Salvador-Ba entre os dias 10 a 12 de Janeiro de 2020 a 1ª Formação de Doulas Negras do Brasil


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A Doula cumpre um papel fundamental no momento do ciclo gravídico puerperal. O suporte físico e emocional de uma Doula trazem resultados positivos para o parto e nascimento, mas precisamos multiplicar o acesso ao serviço, para mulheres que assim como nós, sabem o que é ser PRETA e vivenciam tais violências. Popularizar o acesso para que alcancem quem desejar e quem sabe um dia deixe ser um privilégio, para de fato ser um direito. ⠀⠀
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É por isso que acreditamos na proposta desse curso, através de uma rede, um espaço de reflexão política e profissional, com o intuito de mudar esse cenário e tornar, tanto a formação, quanto o acesso a uma Doula, algo possível para mulheres negras que precisam deste atendimento.⠀⠀




1ª Roda de Gestantes e Puérperas do Coletivo Doulas Pretas - Salvador/Ba


Demorou mas chegou! E chegou em grande estilo!!!


Lançamos o chamado a você, mulher grávida, casal, puérpera, vem pra nossa 1° Roda de Gestantes e Puerpéras!!! .

Uma roda pra gente se conhecer, se acolher, se ouvir, se cuidar e porque não cair na dança? Afinal, PARTO É MOVIMENTO! E esse vai ser o foco do nosso bate papo. Logo depois uma oficina linda e poderosa com deusa @chefonamermo do @afrofunkrio , pra gente preparar esse corpo, liberar a mente, se cuidar, se amar, se autoconhecer!.

Vem mexer o barrigão e a rabeta com a gente! .
Vai ser na Rua Odilon Santos, 202, Rio Vermelho, na @casaguio .
A gente te espera! .

A RODA É GRATUITA, MAS UMA CONTRIBUIÇÃO VOLUNTÁRIA SERÁ BEM VINDA. .

sábado, 11 de maio de 2019

Feliz dia das mães, quem ganha é você!



Nesse dia das mães preparei um presente especial para você.

Serviços de doulagem* com desconto e parcelamento em até 12x no cartão de crédito pelo site do PagSeguro. CLIQUE AQUI


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Comemore seu dia com a grande promoção de doulagem.


Promoção válida para compras até 31/05/2019


Chenia d'Anunciação, uma doula para chamar de sua!


*Serviço inclui consultas de pré parto, acompanhamento do trabalho de parto e parto e consulta de pós parto. Assinaremos um contrato com todos os termos do serviço. 

sexta-feira, 23 de março de 2018

Relato de Parto de Eva. Nascimento de Joaquim 27/04/2016


Parto de Eva Dayane
Nascimento de Joaquim
Local CPN Mansão do Caminho
Data 27 de abril de 2016
Doula Chenia d'Anunciação.

Conheci a Eva no meu setor de trabalho na Uneb, nos demos bem logo no início do encontro. Eva tinha acabado de ter um sobrinho e a gente ficava trocando figurinhas sobre parto, maternagem, doulagens. Nos tornamos boas amigas, depois Eva foi embora, pois passou em outro concurso e eis que um dia recebo uma mensagem com um exame de BHCG positivo e dos dizeres que seria titia. Ela estava morando longe... Quando ela já estava com barrigão, nos encontramos e fiquei muito emocionada ao ver que uma nova Eva tinha surgido, conversamos muito e acertamos coisas de parto. 
2017 grávida do Ben fui para Itacaré parir, Eva e seu companheiro fizeram fotos belíssimas minha, da Zaya minha filha e do barrigão. 
Chega de histórias e vamos ao relato escrito pela Eva sobre seu parto e a chegada do Joaquim. 
Inspirem-se!


38 semanas

Começo meu relato de parto com as 38 semanas. Mas porque 38 semanas? Porque acredito que foi a partir das 38 semanas que tudo aconteceu… Com 38 semanas tive uma crise terrível de ansiedade, medos… Lembrei da conversa que havia tido com Maina, fotografa que iria registrar meu parto, a uma semana atrás estavamos na praia de Vilas do Atlântico, haviamos marcado para nos conhecer e para falar sobre as expectativas do parto, preparação, medos… naquele momento fui contando como estava minha vida, minhas expectativas, medos e ansiedades, e de repente lágrimas, desabafo… e ela ia me dizendo que era bom estar acontecendo pois os medos, a ansiedade só atrapalham na hora do parto. Me contou sobre seu parto e falou que era importante liberar as emoções e se entregar a natureza, acreditar que eu seria capaz e esperar o tempo do Joaquim. Chorei, e confesso que aquela conversa me fez refletir e pensar em todos os sentimentos que estavam ali vindo a tona comigo. Então, comecei a me sentir muito irritada, angustiada, pois já não tinha mais o que fazer, não tinha mais o que arrumar, comprar...só tinha medos, ansiedade. Medo de que? Muitos...medo do pai de meu filho não chegar a tempo para o parto, de não estar conosco naquele momento que sonhei e desejei tanto. Por que esse medo? Eu havia decidido com apoio de meu marido que iria parir em Salvador, no Centro de Parto Natural - CPN em Pau da Lima, pois era o local que eu entendia haver respeito a mulher e a criança, com respeito ao tempo do nascer, além de ser o local que eu senti segurança e confiança em ver o Joaquim nascer. Outro medo e talvez o que mais me assombrava era o dele não nascer até 41 semanas e quatro dias, pois o CPN só aceita grávidas de baixo risco. Sentia um pavor tão grande de ter que fazer uma cesárea, que isso me travava. 

Chorava, ficava em pânico. Eu estava preparada apenas para o parto natural, embora se fosse necessário aceitaria, mas confesso que eu ficaria bastante frustrada. Eu queria sentir meu filho sair de mim, ter o contato direto com ele sem intervenções. Isso desde sempre. Talvez tenha sofrido influências de minha mãe, ela teve dois partos normais. Eu queria parir como ela pariu. Outro medo de não conseguir parir, de não ter força para parir…Medo do CPN não me aceitar como gestante de baixo risco, embora eu soubesse que estava tudo bem comigo, apesar de minha GO ter me dito que eu estava dentro do perfil… eu sentia medo! Medo porque eu tinha tido infecção urinária, porque quase não consegui sair da anemia, porque minha vitamina D não havia estabilizado ainda. 

Chegou o dia da consulta de perfil. Fui para o CPN e fui aceita. Nesse dia também tive consulta com minha GO, pois ela estava atendendo lá. Joaquim ótimo, mamãe Eva também, porém chorosa de medos e muita ansiedade. Minha GO, Drª Marilena Pereira foi maravilhosa! Sempre serena, com mensagens de ânimo, me tranquilizando. Enviou um texto lindíssimo sobre parir, ensinamentos de mulheres indígenas.


39 Semanas


Passada a angústia, os medos das 38 semanas, era hora de relaxar… Era a semana de meu niver (para ser sincera só lembrei porque minha mãe me lembrou na semana passada). Dia 21 de abril era feriado. Eu estava feliz e animada, pois maridão ia chegar para fazer caminhadas na praia comigo. Eu sentia uma vontade terrível de andar. Queria andar o tempo todo, mas na praia, para ouvir o barulhinho das ondas, sentir a areia em meus pés e a brisa em meu rosto. Até ensaiei ir a praia com 39 semanas sozinha, na véspera de meu aniversário, caminhei até quase a metade do caminho para praia, porém senti desconforto, fiquei com medo da bolsa romper, de sentir dor… voltei para casa frustrada porque queria muito ir passear. Quarta-feira, era 20 de abril, meu aniversario tinha chegado, Joaquim não quis nascer no dia do aniversário da mamãe… tinha consulta com minha Go no CPN. Fui com um amigo. Estava tudo certinho caminhando para as 40 semanas. Minha Go me deu uma requisição para fazer ultrassom caso Joaquim não nascesse até a próxima consulta. Voltei para casa feliz por saber que meu bebe e eu estávamos bem. A boa notícia, pelo menos para mim era, é que ele tinha descido 1cm. Nossa! 1 cm, acho que a notícia que toda mulher que deseja parto natural quer ouvir. E eu já tinha ouvido muitas coisas sobre minha barriga. Mitos! Ouvia da vizinha “Vai ser cesárea viu Dai. Sua barriga tá muito alta. Era para tá baixa.” De minha prima, que amo! “Acho que vai ser cesárea Dayane. Sua barriga tá alta.”... 21 de abril! Maridão chegou! Fui com meu amigo busca-lo as 05:30 da manhã na rodoviária.
Chegando em casa foi só o tempo de descansar um pouco para irmos a praia. Estava super ansiosa por esse momento. Fomos e foi maravilhoso. Caminhei bastante. Fui e voltei caminhando, de minha casa para a praia era uns 15 minutos, mas com o barrigão gastamos mais tempo, em torno de 30 minutos para ir e voltar. Depois da praia descansamos. No dia seguinte praia novamente. E no sábado mais praia, caminhada, banho de mar. Voltamos mais cedo para casa para almoçar fora. Nesse dia comecei a sentir contrações mais significantes, essas contrações eram tipo cólicas suaves, eram
diferentes de tudo que eu já tinha sentido na gestação. Além das contrações, minha calcinha estava começando a ficar suja com uma gosminha parecida com borra de café, como se fosse finzinho de menstruação. Será Joaquim querendo nascer no final de semana? Contei tudo para marido e para minha doula Chenia. Mesmo assim fomos almoçar fora e depois fomos curtir o MAM com amigos de Gandu que estavam passando o feriadão em Salvador. E a colicazinha ali incomodando… eu muito feliz porque sabia que era meu filho chegando. Vimos duas exposições que estavam no MAM, curtimos o jazz. No domingo fomos novamente a praia e voltamos para casa. As colicazinhas tinham parado, mas a gosminha da calcinha não. Era hora de marido voltar para Gandu para mais uma semana de trabalho. Tínhamos medo dele voltar e eu entrar em trabalho de parto nesse intervalo de tempo de Salvador a Gandu, mas não aconteceu. Então chegou a segunda-feira, vinte e cinco de abril. Na madrugada da segunda senti contrações mais fortes junto com uma vontade de fazer coco, era uma e pouca da madrugada. Fiquei observando as contrações, olhei o relógio do celular e comecei a marcar tempo, porém não tinham ritmos. Já tinha sido instruída por minha doula para manter a calma quando eu entrasse em trabalho de parto, que se fosse de madrugada, para eu tentar dormir e descansar o máximo que eu pudesse, que eu economizasse energia, pois iria precisar para o expulsivo. Assim fiz, observei as contrações para vê se aumentariam, quando vi que estavam sem ritmo voltei a dormir. Quando acordei segunda, mandei mensagem para minha doula contando o ocorrido. Ainda não era o trabalho de parto, mas estava bem pertinho. Contei também para meu marido e para minha mãe.


Terça-feira (26 de abril)

Iniciei a segunda com contrações, porém estavam irregulares, comuniquei à minha amiga e doula Chenia da Anunciação e marido e fiquei observando. Na madrugada de segunda para terça uma e pouca da manhã comecei sentir contrações novamente e a marcar o tempo para saber se eu estava entrando em trabalho de parto. Então notei que as contrações estavam de dez em dez minutos. Fiquei muito feliz. Senti emoção. Não chamei ninguém da casa (irmã, cunhado, sobrinha), fui curtindo as contrações, e dormir novamente como havia orientado minha doula. Quando acordei, mandei mensagem para 

Chenia, depois liguei e relatei o que estava acontecendo. Mandei mensagem também para o marido e depois liguei, pois era bem cedinho. Eu estava em trabalho de parto. As contrações estavam acontecendo a cada dez minutos. Mandei mensagem também para minha Go e ela orientou que eu só fosse para casa de parto quando estivesse em trabalho de parto ativo. Então calmamente tomei meu café da manhã, liguei para minha mãe para ela vim ficar comigo e fui curtindo minhas contrações. Ficava no quarto, andava, deitava e quando vinha a contração fazia alguns movimentos orientados por minha doula. Agachava segurando o berço do Joaquim, rebolava e ia conversando com ele, dizia para ele que eu estava feliz, que ele podia vim, que o papai e a vovó já estavam a caminho. Para passar o tempo fiquei ouvindo a rádio MPB FM e ia conversando no whatsapp com algumas pessoas, principalmente com minha doula Chenia.

Não lembro exatamente a hora que minha mãe chegou, mas lembro que senti muita alegria. Agora era eu, Joaquim e mainha na casa. Minha sobrinha tinha chegado do curso e já estava saindo para escola. Minha mãe trouxe folha de algodão e fez um banho para mim, pois segundo o saber dela e da tradição banho de algodão “esquentava a dor”, acelerava o trabalho de parto. Então minha mãe fez o banho, eu banhei e tomei um pouco do chá. As contrações vinham e iam, as vezes vinham bastante dolorosas, as vezes eu chorava, as vezes parecia que eu estava acostumando. Por volta das dezessete horas minha irmã chegou com meu sobrinho. Só lembro dela me falando “Essa é a cara de quem vai parir hoje?”
Nesse momento mais uma contração estava acontecendo e chorei de dor. Por volta das dezoito minha doula chegou e conversamos, contei tudo o que tinha acontecido durante o dia. Logo depois Ecirio, pai de Joaquim chegou. E as contrações foram aumentando… Caminhei pelo quintal com Ecirio, rebolei. Teve um momento que as contrações estavam mais doloridas ainda. Lembro de Chenia falando para eu ficar de quatro com o quadril para cima para aliviar as dores e ela colocou uma música, um mantra que me acalmou bastante. Ele também fez massagens e orientou Ecirio também sobre como e onde massagear. Por volta das 22h senti fome e falei para minha mãe que eu queria comer. 
Então quando sentei, acho que para tomar sopa as contrações começaram a ficar super doloridas. Não consegui tomar a sopa e elas também não pararam mais. Senti calor também. Chenia aconselhou ir p chuveiro . Fui e fiquei lá por uma hora, nem percebi que já tinha uma hora no chuveiro, mas as contrações não pararam mais. Cada dor era maior e infindável. Chenia achou que era o momento de irmos para o CPN. Concordei. Fomos. Cheguei no CPN uma e cinquenta da madrugada. Fizeram a entrevista e me perguntaram se eu queria que fizesse o tok. Aceitei, mas pedi para que não me falassem. Chenia e Ecirio souberam. Eu estava com 6 cm dilatados. No momento da entrevista senti um liquido descer. Pensei que eu tivesse feito xixi, ela a bolsa querendo romper. Logo vi Maina chegar e a fotografar. Senti alegria quando vi Maina. Fomos para o quarto. Lá, lembro que quis ir logo para o banheiro, chuveiro. Fiquei na bola, no chuveiro, Ecirio me ajudando. Depois disso vesti um roupão e fui p cavalinho. De imediato não gostei dos balanços do cavalinho, mas fui e fiquei. 


O roupão estava me agoniando, pois eu sentia muito calor, então tirei logo tudo e fiquei peladona. kkkkk. Não lembro a hora, mas minha bolsa rompeu. Estourou como se fosse uma bola de encher e saiu um monte de líquido com um cheiro forte de amônia e bem quente. Venho um médico e perguntou se poderia fazer o tok. Aceitei. E ouvi ele dizer “coloca ela no agachamento que esse parto será de sucesso.” Ouvi isso e me senti estimulada. Fui para a “escada”, acho que é esse o nome. Não lembro se foi nesse momento que senti meu corpo abrir, mas especificamente, senti a vagina rasgar. Senti medo, dor! Falei “tem como desistir? Não quero mais normal.” Senti medo das dores serem maiores que aquela que por um momento senti. Sim, foi por um exato momento, porque depois passou e não senti mais nada. Fui para a escada. Pensei “a isso ai é moleza pura!” Comecei a descer os degrau. Nossa como é difícil. 

Logo percebi que também não havia gostado daquela bendita escada. Mas fui descendo e sendo encorajada por meus amores (marido, Chenia e Maina). Fui até o último degrau. E para subir? Eita! Achei que descer estava difícil, subir pior ainda. Mas fui subindo e respirando com ajuda de Ecirio, de Chenia. Mas a maior parte era esforço meu. Senti vontade de ir p banheiro. Achei que eu poderia parir de cócoras. Queria que fosse assim. Agachei no chão no banheiro, mas achei super desconfortável. Sia de lá e fui para a banqueta. Nessa hora eu sentia que estava próximo. Eu estava procurando a posição mais confortável possível. A banqueta era o local. Senti conforto. Ecirio me segurando por trás, me abraçando. Cochilei. Não lembro por quanto tempo, mas demorou e as contrações foram embora. Ai ouvi Chenia falando “Amiga, as contrações foram embora já faz um tempinho. Se demorar demais vai começar tudo de novo.” Ouvindo isso disse para mim mesma “tudo de novo não!’ Ai comecei a chamar “Vem filho, vem Joaquim” Quase que sussurrando. Não tinha forças para gritar, ou resolvi guardá-las para a expulsão. Então senti novamente as dores, agora mais brandas. Porém senti vontade de fazer força. Perguntei “Quem vai segurar ele? Quem vai pegar Joaquim?” Perguntei isso três vezes. Na terceira vez, vi uma equipe entrar. Eram muitas pessoas. Não lembro quantas, mas lembro da enfermeira que segurou Joaquim na expulsão. Apagaram as luzes, desligaram o ar. Fiz a primeira força. 





Joguei para o tórax. Chenia havia me dito que não fazer isso, para canalizar a força para a pélvis. Logo saquei que fiz tudo errado. Pensei “Nossa como é difícil! Como vou fazer isso?” Aí lembrei alguém dizendo “é como se fosse força de fazer coco!” Então pensei nisso e fiz a segunda força. Foi rápido, não tive como pensar muito, pois as vontades eram involuntárias. Na terceira fiz uma força maior que a segunda e Joaquim nasceu. A enfermeira segurou Joaquim e logo colocou em cima de mim. Eu me senti meu aérea. Ouvi o choro dele e o calor dele em cima de mim. Tentei segurar, mas ele escorregava. A enfermeira disse “Segura mãe!” E eu segurei com força e pude ver o Joaquim. Cabeludo, quentinho, cheio de sebo protegendo a pele dele. Boquinha rosinha, olhinhos pequenos. Ele me olhou. 


Fiquei emocionada. Ele reconheceu a mamãe. Logo em seguida olhou para o pai e procurou o seio e mamou. Achei incrível! Ai senti muito sono. E o médico ou a enfermeira, não lembro fazendo milhares de perguntas. E eu pensando “só quero dormir!” E fiquei uma hora acordada porque não deixaram eu dormir. Ai fizeram os procedimentos. Tiraram a placenta. Não vi. Me arrependo por não ter visto a placenta de Joaquim. Joaquim mamou novamente e ai pude dormir. Também senti fome, muita fome, mas o sono era maior.



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Visualizando a Dilatação

A dilatação do colo do útero acontece durante o trabalho de parto,  para que o bebê passe pelo canal do parto. O colo do útero dilata naturalmente quando o corpo está pronto para o parto, mas quando é necessário acelerar o processo, a dilatação pode ser estimulada usando medicamentos ou técnicas homeopáticas. 
Aos poucos o colo vai dilatando até atingir a marca de 10 cm, que não tem relação direta com a hora de empurrar ou do bebê nascer. Algumas mulheres, mesmo com dilatação completa, ainda precisam de um tempo para sentir os puxos (vontade de fazer força) e o bebê nascer. 


terça-feira, 8 de abril de 2014

Ontem a vítima foi Adelir, amanhã pode ser você!

O Movimento de Humanização do Parto, está organizando para o dia 11/04, manifestações em frente ao Ministério Público de diversas cidades do Brasil. Aqui em Salvador a página do evento encontra-se no facebook, junte-se a nós, vamos dar m basta na violência obstétrica, que também é violência contra mulher.

Ato Pelo direito de decidir, contra a violência obstétrica
 
Quando? 11 de Abril de 2014]
Onde? Sede do Ministério Público na Av. Joana Angélica, Salvador/BA
Que horas? 15h.

Traga seu cartaz, traga seu tambor, traga sua indignação!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Marcha pela Humanização do Parto em Salvador

Sábado 19 de outubro de 2013

Concentração no Cristo da Barra 9:00 h da manhã, saída 9:30 em direção ao Hospital Português.

Clique aqui, fique por dentro e sinta-se a vontade para construir conosco esse movimento.  

O ato pretende chamar atenção para a Humanização do Parto e apoiar profissionais de saúde e Instituições Púbicas e Privadas que seguem as evidências científicas atuais, as recomendações do Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde.

No próximo sábado e domingo (19 e 20 de outubro), a partir das 9 horas da manhã, famílias, ativistas e profissionais de Saúde farão manifestos em diversas cidades do país em prol da Humanização do Parto.
A iniciativa partiu de grupos de mulheres que se articularam via rede social depois de alguns episódios contrários ao trabalho de profissionais de saúde e Instituições Públicas e Privadas que atuavam de modo coerente e de acordo com os estudos atuais sobre assistência ao Parto e as recomendações do Ministério Público e Organização Mundial da Saúde (que leva em consideração o respeito ao protagonismo da mulher e uma experiência respeitosa de nascimento, contra a realização de procedimentos invasivos sem indicação clínica). Hoje, infelizmente, sabemos de alguns Hospitais e Casas de Parto, obstetras, obstetrizes, doulas que vêm sofrendo uma restrição velada.
A manifestação dá continuidade a uma série de atividades que vêm ocorrendo desde 2012, quando foram realizados os primeiros protestos, com participação de 32 cidades. Este ano, o ato também será nacional e até agora 15 cidades já estão confirmadas.
Em São Paulo, a Marcha tem como principal objetivo cobrar celeridade da Justiça Federal no julgamento da Ação Civil Pública encaminhada pelo Ministério Público Federal em 2010 sobre número excessivo de cesarianas realizadas no sistema de saúde suplementar.
O Movimento pela Humanização do Parto afirma, ainda, que não é contra a realização de cirurgias cesarianas, mas considera que elas devem ser feitas apenas quando há risco envolvido e comprovado para mãe ou bebê e não de forma eletiva e fora do trabalho de parto, como tem ocorrido em todo país.
Em repúdio à decisão arbitrária em punir profissionais e Instituições que praticam a Assistência Humanizada ao Parto foi idealizada uma nova MARCHA. Entre as reivindicações, além da defesa pelo direito à liberdade de escolha, pela humanização do parto e nascimento e pela melhoria das condições da assistência obstétrica e neonatal no país, também está a denúncia às altas taxas de cesarianas que posicionam o Brasil entre os primeiros colocados do ranking mundial. A frequência dessas cirurgias aumentou de 37,8% para 52,3% de todos os partos realizados entre 2000 e 2010 na rede pública e nos hospitais privados chegam à vergonhosa margem de mais de 80%. Os dados chamam atenção da Organização Mundial de Saúde, que recomenda que a taxa de cesariana, tanto na rede pública, quanto privada seja de apenas 15%. Além disso, a entidade alerta para o fato de que o excesso de cesarianas aumenta a mortalidade de mães e bebês.
Ajude a divulgar!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Adriana Tanese em Salvador. A Alma do Parto: um novo paradigma para a humanização do parto


Imagem inline 1A UNEB, através do projeto de Extensão Acolhendo à Gestação convida você para mais uma roda: A Alma do Parto: um novo paradigma para a humanização do parto. Como moderadora teremos a convidada Adriana Tanese Nogueira, psicoterapeuta de matriz junguiana da Escola italiana de Silvia Montefoschi, formada em Filosofia em Milão (Itália), foi co-fundadora do site Amigas do Parto em 2001 e co-fundadora e presidenta da Ong Parto e Companhia - Associação das Amigas e Amigos do Parto em 2003.Também é escritora e autora dos livros: A Alma do Parto, Mulheres Contam o Parto dentre outros

“O livro de Adriana constitui um rico manancial para reflexões(...) Desvelando-nos o parto com sua riqueza de sentimentos, emoções, sensações, este livro nos mostra as mulheres num estado privilegiado e modificado da consciência, possível de ser experimentado em pouquíssimas situações.” - Dr. Paulo Batistuta Novaes.

Entre conosco nessa roda. Vamos refletir sobre parto normal enquanto processo de ampliação da consciência.

Para fazer sua inscrição clique aqui

LOCAL
UNEB Auditório do Departamento de Ciências da Vida I

DATA e HORÁRIO
27 de Setembro de 2013 | 08:00 às 17:30 h

PÚBLICO ALVO
Evento gratuito e aberto a todos interessados pelo tema.

ORGANIZAÇÃO

Mary Galvão
www.partodomiciliar.blogspot.com

Chenia d’Anunciação
www.doulasalvador.com.br

OUTRAS INFORMAÇÕES
71 3117-2461 (Procurar Chenia)
Email: acolhendoagestacao@gmail.com
Blog: www.unebacolhendoagestacao.blogspot.com
Facebook: http://www.facebook.com/groups/acolhendoagestacao

Pontos a serem abordados

Concepção do corpo
* Significado do parto na obstetrícia moderna: prática e visão.
* Posições e lugares durante o parto.
* A dor no parto.
* Os objetivos do parto.
* Experiência do parto e nascimento

Concepção da relações sociais.
Relações: profissionais-instituições | Relações entre profissionais | Relações profissionais-pacientes |Doulas e acompanhantes |O bebê

Identidade psicológica
* O que sente e como funciona a mente do profissional humanizado
* Psicologia da grávida e parturiente humanizada
* Relações mente-corpo, razão-emoções
* Mecanismos psicológicos de auto-preservação no paradigma humanizante

Perspectiva existencial
* Ser ponte: o sagrado do parto
* Mães e sua iniciação à subjetividade madura
* Busca de sentido: conhecendo-se a si mesmos
* Humanização: uma nova etapa da civilização humana

PROGRAMAÇÃO

Convidada Adriana Tanese Nogueira

8:00 as 9:00 Abertura da roda
9:00 as 10:00h Apresentação do conteúdo
10:00 as 10:30 Intervalo para lanche
10:30 as 11:30 Concepção psicológica e implicações na identidade de profissionais e usuári@s
11:30 as 12:30 - Concepção do corpo: relações de gênero e sociais, práticas obstétricas, escolhas e pontos de vista
12:30 as 13:30 - Intervalo para o almoço
13:30 as 14:00 - Dinâmica de Integração
14:00 às 15:30 - Perspectiva Existencial
15:30 as 16:30 - Plenária para debate
16:30 as 17:30 - A alma do Parto
17:30 as 18:00 - Lançamento do Livro A Alma do Parto da autora.

 Contatos da Adriana Tanese Nogueira

www.ongamigasdoparto.com | www.psicologiadialetica.com | www.atnhumanize.com

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Relato de Parto Domiciliar de Thais Aguiar, nascimento de Tito.


A hora esperada



Dia 19/09 acordei bem, como em todos os dias anteriores. Estávamos com 39 semanas e dois dias e não estava sentindo nada de diferente. Pela manhã tive uma consulta com Dra. Sônia e ela decidiu fazer um toque. Resultado: 0cm de dilatação, bebê alto, colo grosso e posterior. Ela disse que provavelmente demoraria mais alguns dias, mas que isso não é uma regra! Quando saí da consulta liguei para o seu pai e falei que ainda ia demorar! Depois sua avó e sua dinda também ligaram querendo saber novidades! Eu disse para elas que ainda ia demorar! Todos estavam ansiosos, mas ninguém estava desesperado (eu acho), afinal eu "não estava com cara de quem ia parir logo". Fui para casa e passei o dia inteiro sem sentir nada de diferente. Nada mesmo! Só sentia as BH, que desde os 5, 6 meses já me acompanhavam, mas agora estavam bem mais frequentes, é claro! À tarde fui tomar um banho e como sempre fazia, cantei para você:
"Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
Nesse dia branco..."




No final do dia seu pai chegou do trabalho, comemos alguma coisa e ficamos de bobeira. Lembrei (e enchi o saco) que ele ainda tinha que pintar a luminária da sala. Já fazia alguns dias que eu lembrava (e enchia o saco) que ele tinha que pintar a luminária. Esse dia ele resolveu pintar a luminária! Fiquei até umas 21h e pouco com ele e resolvi ir deitar, estava morrendo de sono. Acordei umas 22h e pouco com uma pontada bem levinha. Seu pai já estava dormindo e eu nem falei nada com ele. Voltei a dormir e acordei de novo com outra pontada levinha. Olhei no relógio, acho que eram 22:30h. Cochilei de novo e outra pontada. Olhei de novo no relógio e tinham passado 10 minutos. Achei melhor levantar, já que não ia conseguir dormir mesmo. Fiquei na sala viajando, pensando em um monte de coisas, a cabeça a mil. As pontadas foram ficando cada vez mais fortes. Eu respirava, caminhava, mexia os quadris, agachava. Definitivamente eu tinha que me movimentar durante as contrações, era muito incômodo ficar parada. A cada contração eu tentava procurar a melhor posição e sempre me preocupava com a respiração, lembrava das aulas de yoga. Eu ainda não estava acreditando muito no que estava acontecendo, achava que poderiam ser só os pródomos. E as contrações foram ficando mais intensas, mais frequentes. 1:20h da madrugada eu peguei um papel e comecei a anotar os intervalos das contrações. Elas estavam meio loucas, às vezes 7, 6, 8 e algumas com 4, 3 minutos de intervalo! As contrações foram ficando mais intensas ainda e umas 4h eu acordei seu pai:
- Coisa!
- Oi! - assustado
- Eu acho que estou em trabalho de parto!
- Meu Deus! Desde que horas?
- Umas 22h e pouco.
- Por que não me acordou antes?
- Por que eu não tinha certeza se era trabalho de parto, e sabia que você ia querer acordar todo mundo!
- Já ligou para Dra. Sônia? Já ligou para sua mãe? Já ligou para Chenia?
- Calma, Exídio. Eu não liguei para ninguém ainda.


Anotação das contrações

Nessa hora me deu uma dor de barriga e eu fui para o banheiro. Seu pai ligou para Dra. Sônia e ela perguntou como eu estava, me lembro de ouvir ele dizendo que eu não estava mais aguentando de dor, ele mal sabia que era só o começo. Ela pediu para falar comigo, mas eu não consegui dizer muita coisa. Depois, ela falou com ele de novo e disse: "Olha Exídio, consegui contar mais ou menos o intervalo de uma contração para outra e a duração, ela está realmente em trabalho de parto. Estou indo!".


Sol nascendo na nossa janela, hora que o papai acordou

Voltamos para a sala e continuei me mexendo durante as contrações. Aliviava muito ficar apoiada no parapeito da janela, movimentando os quadris. Nos intervalos eu ficava parada, concentrada, só esperando a próxima contração.



Menos uma contração

Não me lembro de ter visto ele ligando para sua avó e para Chenia, mas sei que ele ligou logo depois de ter falado com Dra. Sônia. A primeira a chegar foi a sua avó Ita, acho que ainda não tinha dado 7h.


Cafuné da vovó Ita


Abraço que acalma

Logo depois chegou Chenia, a nossa doula. Conversamos um pouco e minha mãe resolveu sair para comprar algumas coisinhas e a piscina, pois na última consulta Dra. Sônia tinha dito que a dela não estava muito boa. Neste intervalo a Dra. chegou e trouxe a piscina dela, acho que tinha mandado ajeitar. Ficamos batendo papo, Chenia começou a fazer umas massagens. Eu estava meio desorientada, a partir daí já não lembro de todos os detalhes.


Massagem de Chenia, carinho da vovó e companhia de Lola


Descanso na bola de pilates

Dra. Sônia pediu para fazer um toque: 4cm de dilatação, colo posterior, bebê ainda alto e dorso à direita. Ela mediu também os seus batimentos cardíacos e estava tudo ótimo com você.


Batimentos cardíacos

Me lembro dela ter dito: "Tai, o que faz a dilatação aumentar é o movimento. Você não pode ficar parada. Por que não vão fazer uma caminhada na praia? Eu tenho umas coisas para resolver no consultório, mas não demoro."
Coloquei um vestido e umas 11:30h fomos eu, seu pai, sua avó e Chenia para a praia. Tive contração no elevador, na garagem e várias no carro. As do carro foram as piores. Paramos em uma praia bem vazia aqui em Amaralina, colocamos nossas sandálias embaixo de um barquinho na areia e fomos caminhar.


Energia boa que vem do mar

Quando vinham as contrações eu me agachava. Aliviava ficar de cócoras, assim melhorava muito!


Menos uma

Eu e seu pai acabamos nos afastando um pouco e ficamos juntos, caminhando e sentindo cada contração.


Com o papai

Abraço bom

Para o meu joelho não machucar na areia colocávamos uma canga no chão. Uma hora alguém foi lavar a canga no mar e ela se foi, acho que pode ter sido para Iemanjá. Outra hora eu e seu pai estávamos caminhando e uma onda veio de surpresa e nos molhou. Passamos umas duas horas caminhando e pedi para voltar para casa, já estava ficando bem cansada.


O mar abençoando o nosso momento

Quando fomos pegar as nossas sandálias, percebemos que alguém já tinha levado!!! Meu Deus, como podem roubar uma grávida em trabalho de parto?
Voltamos para casa por volta de 13:30h e Dra. Sônia já estava nos esperando.
Tomei um banho quente e demorado, depois fiquei me movimentando, sentei na bola de pilates, agachava, fazia de tudo para amenizar a dor imensa que eu sentia na lombar. E o que me fazia sentir bem, muito bem, eram as massagens de Chenia! Nossa, aquilo era meio milagroso!


Massagem de Chenia

Até então a minha bolsa não tinha estourado e Dra. Sônia perguntou se ela poderia romper artificialmente e eu neguei de cara. Umas 16:30h ela me examinou de novo, resultado: 7cm de dilatação (uau!), mas o colo ainda estava posterior e você ainda estava alto. Os seus batimentos continuavam ótimos, e era muito bom saber disso. Acho que foi nessa hora que ela fez uma manobra para trazer o colo para a posição certa. Aquilo doeu muito!


Amor

Seu pai teve o maior trabalho para encher a piscina, foram muitas idas e vindas com baldes de água e para completar acho que ela estava vazando, aí mais trabalho ainda! Dra. Sônia disse que eu poderia entrar na água. Achei ótimo, fiquei feliz, pois tinha muita vontade e muita expectativa que você pudesse nascer na água, filho. Foi um momento de tranquilidade, de alívio. Chenia me fazia as massagens, sua avó jogava água quentinha nas minhas costas e cantava para a gente.

A presença dela foi muito importante para mim, e foi ótimo o modo como ela se comportou. Sempre discreta, me trazia força e segurança e ao mesmo tempo não invadia o nosso espaço. Fiquei cerca de 1:30h na água e as contrações desapareceram. Dra. Sônia sugeriu que eu saísse e só entrasse de novo mais tarde, pois não era legal que o trabalho de parto estagnasse.


Alívio na banheira

Nessa hora seu pai ficou mais colado ainda em mim. Ficamos rodando a casa inteira, e ele sempre segurando a minha mão. A presença dele me deixava mais segura, as palavras dele me deixavam mais calma. O que seria de nós sem ele, filho?


Tive contrações na sala, no quarto, no chuveiro. E sempre que vinham as contrações eu me agachava, era instintivo. E eu sempre chamava: Cheeeenia! E ela vinha fazer as massagens. Sua avó e seu pai bem que tentaram também, mas nada era como a massagem de Chenia.
Lembro de terem me oferecido comida, mas eu não podia nem pensar em comer nada. Acho que durante todo o dia eu tomei só um chá de canela, comi uns gominhos de tangerina e umas rodelas de abacaxi. A única coisa que eu queria mesmo era água. Lembro de ter bebido muita água.

O Sol já se pondo

O tempo foi passando, as contrações foram apertando e eu tinha a sensação que ia me quebrar ao meio. Lembro que falei para a sua avó: “Mãe, parece que tem alguém abrindo os meus ossos com a mão” e ela sorriu e disse: “Mas tem! É Tito querendo passar”.
Mais tarde Dra. Sônia veio conversar comigo e falou de novo em romper a bolsa, disse que isso aceleraria um pouco o processo, que eu já estava há quase 24h em trabalho de parto. Conversei com seu pai e então decidimos autorizar. Ela rompeu e doeu um pouquinho. Na hora eu senti uma água quentinha escorrendo, olhei e estava bem clarinho. Fiquei aliviada de não ter sinal de mecônio, mas o que eu queria mesmo era ter sentido a bolsa rompendo naturalmente. Acho que toda mulher que sonha parir imagina um dia a bolsa rompendo.
As contrações realmente ficaram mais fortes, e eu já estava exausta. Falei que não ia aguentar, que precisava de uma anestesia e que queria ir para o hospital. Dra. Sônia riu e disse que eu tomaria as decisões, que se eu quisesse, nós iríamos sim para o hospital e lá eu tomaria uma anestesia. E ela reforçou: “É isso mesmo que você quer?” e eu disse: “Não!”. Nessa hora todo mundo riu. Depois eu soube que ela falou com o seu pai: “Isso é normal, e é um ótimo sinal! Sinal que já está perto da hora!”.


Será esse o nosso limite?

Seu pai achou que a trilha sonora estava muito tranquila e teve a idéia de colocar uma música mais agitada. Acho que ele escolheu Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga e deu certo, me deu um fôlego extra! Lembro que ele, vendo o meu cansaço, tentava o tempo inteiro me animar e até me chamou para dançar - eu devo ter feito uma cara muito feia nessa hora!



Papai ajudando

Continuamos andando a casa toda, mas já estava quase sem forças para ficar em pé, para ficar de cócoras. Eu precisava que alguém me segurasse, me carregasse. E esse alguém foi seu pai, que ficou o tempo inteiro comigo, filho. Nos olhos dele eu sentia que ele queria dividir comigo aquela dor que era só minha. E eu transferi parte dela apertando muito ele, e ele sempre me falando que eu era forte, que estava perto, que nós estávamos conseguindo.


Exausta e sem forças

Eu disse que queria fazer cocô e Dra. Sônia disse: “Ótimo, Tai! Pode fazer força, mas acho que não é cocô! É Tito chegando!”. E a cada contração vinha uma vontade de fazer força e de gritar. O grito me ajudava, trazia um pouco de alívio.
Dra. Sônia viu que a sua cabecinha já estava aparecendo, todos ficaram animados e eu fiquei totalmente confusa. Ela sugeriu que eu colocasse a mão para sentir. Filho, foi uma coisa muito louca, muito estranha. Eu esperava sentir uma coisa rígida, e meus dedos tocaram uma coisa bem molenguinha. Na hora eu falei: “Ai! É mole! Eu não quero mais sentir!” e então ela perguntou se eu queria ver com um espelhinho e eu neguei também. Engraçado que quando eu imaginava o nosso parto eu sempre me imaginava querendo ver pelo espelho, querendo tocar a sua cabecinha coroada, e aconteceu tudo ao contrário.
Entrei de novo na banheira, fiquei um tempinho e você que já estava coroando, subiu novamente. Nessa hora eu fiquei muito agoniada, não entendia porque quando eu entrava na banheira tudo regredia. Fiquei triste. Dra. Sônia disse que se eu quisesse poderia ficar, mas eu disse que não, que queria sair, que queria que você nascesse logo.


Exausta e ansiosa

Tentei ficar de cócoras, e não tinha mais força para me sustentar. Tentei ficar ajoelhada e também não aguentei.


Em busca da melhor posição

Comecei a ficar incomodada e acabei fazendo o que não imaginei que faria: fiquei deitada e foi melhor assim. E você demorou filho. Não sei o tempo, mas a sensação era de uma eternidade. Será que essa demora foi por causa do seu dorso à direita? Por algum tempo você ficou subindo e descendo, e isso me deixou angustiada. Dra. Sônia achou que deveria ajudar intervir, e acabou empurrando a minha barriga. Na hora eu nem liguei. Eu sentia que você já estava bem perto, senti queimando tudo. Nessa hora seu pai já tinha deixado a máquina com sua avó e veio ficar bem pertinho, estávamos em uma sintonia muito boa. Conversamos muito sobre o parto durante a gravidez, e ele foi perfeito. Participou ativamente e intensamente de todo o processo, e isso foi essencial.


Mais algumas contrações e de repente, saiu a sua cabeça. Eu não quis olhar, não quis tocar novamente. E depois, muito rápido, em outra contração saíram os ombros e você escorregou. Eram 23:15h do dia 20 de setembro. Você veio para mim na mesma hora, não chorou, mas ficou resmungando baixinho. Nunca vou esquecer a sensação de abraçar o seu corpinho quente, grudado em mim através do cordão umbilical. Ainda éramos um só.


Seja bem vindo, meu filho!

Naquela hora não existia mais dor, mais preocupação, mais angústia, mais nada. Só existia o amor. O amor que eu achava que já era infinito quando você ainda estava na minha barriga. Filho, eu não sabia até onde ia o infinito!



O maior amor


Eu e seu pai ficamos juntinhos com você, e esse momento durou uma eternidade. Não sei quanto tempo foi, mas a sensação foi de eternidade. Coloquei você no meu peito e você só me lambeu. Seu pai chorou feito criança, e ele tem o choro mais lindo que alguém pode ter. Eu não cansava de te olhar, de olhar para o seu pai te olhando! Nós três ali, naquele momento, éramos o suficiente para a nossa felicidade.


Reconhecimento


"Bem vindo meu novo ser
cercado de proteção
de tanto amor tanta paz
dentro do meu coração

É como se eu tivesse esperado
toda a vida pra te embalar"

 
A melhor sensação

A placenta saiu logo depois, e não me lembro de ter sentido dor. Depois de algum tempo Dra. Sônia achou melhor te examinar. Seu papai cortou o seu cordão umbilical e foram todos para o seu quarto para a Dra. te examinar. E da sala eu escutei o seu chorinho. Acho que você estava com um pouco de dificuldade para respirar, então ela pediu que sua avó segurasse a mangueirinha de oxigênio pertinho do seu nariz.


Papai cortando o cordão umbilical

Não demorou nada e logo você voltou para a mamãe. Ficou no meu colinho e ainda não quis mamar, mas continuou me lambendo. Filho, o seu cheiro era o melhor cheiro do mundo, seu pai disse que parecia um cheirinho de churrasco. Até hoje tenho flashback do cheiro (se é que isso existe). E fico feliz toda vez que esse cheiro vem na minha memória.


O cheirinho da mamãe

Seu pai e sua avó começaram a ligar para todo mundo. Logo depois seu avô Exídio, sua avó Licia e sua Dinda chegaram. Eles estavam ansiosos para conhecer a coisinha mais linda do mundo!
Mais tarde me levantei e fui para o quarto para a Dra. suturar a laceração que eu tive. Incomodou um pouco, mas nada me tirava daquele estado de graça. Seu pai ficou te segurando, com o maior jeito, lindo! Parecia até que já tinha segurado um recém-nascido. E abraçadinho com você ele subiu na balança para te pesar: 2.900kg. Tomei um banho e ficamos na cama, te admirando, te amando. Ali você mamou. Mamou como se já tivesse feito isso antes. E assim, juntinhos, ficamos nós três. Mais tarde me bateu uma fome digna de quem tinha passado um dia inteiro sem comer! Contrariando todo mundo eu levantei e sentei na mesa para comer pizza! Eu merecia! Já passava de 2h da manhã e me dei conta que já era dia 21, o dia do meu aniversário. Nem nos meus melhores sonhos poderia imaginar que ganharia um presente de aniversário tão lindo! Você foi o meu melhor presente, Tito!


O leitinho do amor


O melhor presente

Sem dúvida foram as 25 horas mais intensas da minha vida. Senti muita dor, achei que não ia suportar, me chamei de louca. Mas tudo isso passa, e só ficam as coisas boas. Eu queria que algumas coisas tivessem sido diferentes. Se pudesse voltar atrás teria me alimentado melhor para ter mais energia no expulsivo, não teria aceitado o rompimento artificial da bolsa e teria esperado mais um pouco na piscina. Mas, mesmo assim, tenho muito orgulho da forma que escolhemos para te receber. Tenho muito orgulho de você, que fez o seu trabalho direitinho e já provou que é retado! Tenho muito orgulho do seu pai, que aos poucos foi comprando a minha idéia e se tornou o maior defensor do parto natural. Ele é um companheiro no melhor sentido que esta palavra pode ter, e eu amo isso nele. E pode ter certeza, filho, que o amor que eu sinto por ele hoje é bem maior e mais maduro. E sem modéstia, tenho orgulho de mim também. Sei que fui forte e guerreira, mas sei também que isso foi só o começo.


Meus dois amores

Nunca imaginei que caberia tanto amor dentro de mim. Um amor diferente, puro, tão forte que dá nó na garganta. Um amor indescritível, que tantas pessoas tentaram me descrever e que eu, da mesma forma, tento descrever sabendo que estas palavras não serão suficientes. Prometo, filho, que vou passar a nossa vida inteira tentando fazer você entender o tamanho desse amor.