sexta-feira, 23 de março de 2018

Relato de Parto de Eva. Nascimento de Joaquim 27/04/2016


Parto de Eva Dayane
Nascimento de Joaquim
Local CPN Mansão do Caminho
Data 27 de abril de 2016
Doula Chenia d'Anunciação.

Conheci a Eva no meu setor de trabalho na Uneb, nos demos bem logo no início do encontro. Eva tinha acabado de ter um sobrinho e a gente ficava trocando figurinhas sobre parto, maternagem, doulagens. Nos tornamos boas amigas, depois Eva foi embora, pois passou em outro concurso e eis que um dia recebo uma mensagem com um exame de BHCG positivo e dos dizeres que seria titia. Ela estava morando longe... Quando ela já estava com barrigão, nos encontramos e fiquei muito emocionada ao ver que uma nova Eva tinha surgido, conversamos muito e acertamos coisas de parto. 
2017 grávida do Ben fui para Itacaré parir, Eva e seu companheiro fizeram fotos belíssimas minha, da Zaya minha filha e do barrigão. 
Chega de histórias e vamos ao relato escrito pela Eva sobre seu parto e a chegada do Joaquim. 
Inspirem-se!


38 semanas

Começo meu relato de parto com as 38 semanas. Mas porque 38 semanas? Porque acredito que foi a partir das 38 semanas que tudo aconteceu… Com 38 semanas tive uma crise terrível de ansiedade, medos… Lembrei da conversa que havia tido com Maina, fotografa que iria registrar meu parto, a uma semana atrás estavamos na praia de Vilas do Atlântico, haviamos marcado para nos conhecer e para falar sobre as expectativas do parto, preparação, medos… naquele momento fui contando como estava minha vida, minhas expectativas, medos e ansiedades, e de repente lágrimas, desabafo… e ela ia me dizendo que era bom estar acontecendo pois os medos, a ansiedade só atrapalham na hora do parto. Me contou sobre seu parto e falou que era importante liberar as emoções e se entregar a natureza, acreditar que eu seria capaz e esperar o tempo do Joaquim. Chorei, e confesso que aquela conversa me fez refletir e pensar em todos os sentimentos que estavam ali vindo a tona comigo. Então, comecei a me sentir muito irritada, angustiada, pois já não tinha mais o que fazer, não tinha mais o que arrumar, comprar...só tinha medos, ansiedade. Medo de que? Muitos...medo do pai de meu filho não chegar a tempo para o parto, de não estar conosco naquele momento que sonhei e desejei tanto. Por que esse medo? Eu havia decidido com apoio de meu marido que iria parir em Salvador, no Centro de Parto Natural - CPN em Pau da Lima, pois era o local que eu entendia haver respeito a mulher e a criança, com respeito ao tempo do nascer, além de ser o local que eu senti segurança e confiança em ver o Joaquim nascer. Outro medo e talvez o que mais me assombrava era o dele não nascer até 41 semanas e quatro dias, pois o CPN só aceita grávidas de baixo risco. Sentia um pavor tão grande de ter que fazer uma cesárea, que isso me travava. 

Chorava, ficava em pânico. Eu estava preparada apenas para o parto natural, embora se fosse necessário aceitaria, mas confesso que eu ficaria bastante frustrada. Eu queria sentir meu filho sair de mim, ter o contato direto com ele sem intervenções. Isso desde sempre. Talvez tenha sofrido influências de minha mãe, ela teve dois partos normais. Eu queria parir como ela pariu. Outro medo de não conseguir parir, de não ter força para parir…Medo do CPN não me aceitar como gestante de baixo risco, embora eu soubesse que estava tudo bem comigo, apesar de minha GO ter me dito que eu estava dentro do perfil… eu sentia medo! Medo porque eu tinha tido infecção urinária, porque quase não consegui sair da anemia, porque minha vitamina D não havia estabilizado ainda. 

Chegou o dia da consulta de perfil. Fui para o CPN e fui aceita. Nesse dia também tive consulta com minha GO, pois ela estava atendendo lá. Joaquim ótimo, mamãe Eva também, porém chorosa de medos e muita ansiedade. Minha GO, Drª Marilena Pereira foi maravilhosa! Sempre serena, com mensagens de ânimo, me tranquilizando. Enviou um texto lindíssimo sobre parir, ensinamentos de mulheres indígenas.


39 Semanas


Passada a angústia, os medos das 38 semanas, era hora de relaxar… Era a semana de meu niver (para ser sincera só lembrei porque minha mãe me lembrou na semana passada). Dia 21 de abril era feriado. Eu estava feliz e animada, pois maridão ia chegar para fazer caminhadas na praia comigo. Eu sentia uma vontade terrível de andar. Queria andar o tempo todo, mas na praia, para ouvir o barulhinho das ondas, sentir a areia em meus pés e a brisa em meu rosto. Até ensaiei ir a praia com 39 semanas sozinha, na véspera de meu aniversário, caminhei até quase a metade do caminho para praia, porém senti desconforto, fiquei com medo da bolsa romper, de sentir dor… voltei para casa frustrada porque queria muito ir passear. Quarta-feira, era 20 de abril, meu aniversario tinha chegado, Joaquim não quis nascer no dia do aniversário da mamãe… tinha consulta com minha Go no CPN. Fui com um amigo. Estava tudo certinho caminhando para as 40 semanas. Minha Go me deu uma requisição para fazer ultrassom caso Joaquim não nascesse até a próxima consulta. Voltei para casa feliz por saber que meu bebe e eu estávamos bem. A boa notícia, pelo menos para mim era, é que ele tinha descido 1cm. Nossa! 1 cm, acho que a notícia que toda mulher que deseja parto natural quer ouvir. E eu já tinha ouvido muitas coisas sobre minha barriga. Mitos! Ouvia da vizinha “Vai ser cesárea viu Dai. Sua barriga tá muito alta. Era para tá baixa.” De minha prima, que amo! “Acho que vai ser cesárea Dayane. Sua barriga tá alta.”... 21 de abril! Maridão chegou! Fui com meu amigo busca-lo as 05:30 da manhã na rodoviária.
Chegando em casa foi só o tempo de descansar um pouco para irmos a praia. Estava super ansiosa por esse momento. Fomos e foi maravilhoso. Caminhei bastante. Fui e voltei caminhando, de minha casa para a praia era uns 15 minutos, mas com o barrigão gastamos mais tempo, em torno de 30 minutos para ir e voltar. Depois da praia descansamos. No dia seguinte praia novamente. E no sábado mais praia, caminhada, banho de mar. Voltamos mais cedo para casa para almoçar fora. Nesse dia comecei a sentir contrações mais significantes, essas contrações eram tipo cólicas suaves, eram
diferentes de tudo que eu já tinha sentido na gestação. Além das contrações, minha calcinha estava começando a ficar suja com uma gosminha parecida com borra de café, como se fosse finzinho de menstruação. Será Joaquim querendo nascer no final de semana? Contei tudo para marido e para minha doula Chenia. Mesmo assim fomos almoçar fora e depois fomos curtir o MAM com amigos de Gandu que estavam passando o feriadão em Salvador. E a colicazinha ali incomodando… eu muito feliz porque sabia que era meu filho chegando. Vimos duas exposições que estavam no MAM, curtimos o jazz. No domingo fomos novamente a praia e voltamos para casa. As colicazinhas tinham parado, mas a gosminha da calcinha não. Era hora de marido voltar para Gandu para mais uma semana de trabalho. Tínhamos medo dele voltar e eu entrar em trabalho de parto nesse intervalo de tempo de Salvador a Gandu, mas não aconteceu. Então chegou a segunda-feira, vinte e cinco de abril. Na madrugada da segunda senti contrações mais fortes junto com uma vontade de fazer coco, era uma e pouca da madrugada. Fiquei observando as contrações, olhei o relógio do celular e comecei a marcar tempo, porém não tinham ritmos. Já tinha sido instruída por minha doula para manter a calma quando eu entrasse em trabalho de parto, que se fosse de madrugada, para eu tentar dormir e descansar o máximo que eu pudesse, que eu economizasse energia, pois iria precisar para o expulsivo. Assim fiz, observei as contrações para vê se aumentariam, quando vi que estavam sem ritmo voltei a dormir. Quando acordei segunda, mandei mensagem para minha doula contando o ocorrido. Ainda não era o trabalho de parto, mas estava bem pertinho. Contei também para meu marido e para minha mãe.


Terça-feira (26 de abril)

Iniciei a segunda com contrações, porém estavam irregulares, comuniquei à minha amiga e doula Chenia da Anunciação e marido e fiquei observando. Na madrugada de segunda para terça uma e pouca da manhã comecei sentir contrações novamente e a marcar o tempo para saber se eu estava entrando em trabalho de parto. Então notei que as contrações estavam de dez em dez minutos. Fiquei muito feliz. Senti emoção. Não chamei ninguém da casa (irmã, cunhado, sobrinha), fui curtindo as contrações, e dormir novamente como havia orientado minha doula. Quando acordei, mandei mensagem para 

Chenia, depois liguei e relatei o que estava acontecendo. Mandei mensagem também para o marido e depois liguei, pois era bem cedinho. Eu estava em trabalho de parto. As contrações estavam acontecendo a cada dez minutos. Mandei mensagem também para minha Go e ela orientou que eu só fosse para casa de parto quando estivesse em trabalho de parto ativo. Então calmamente tomei meu café da manhã, liguei para minha mãe para ela vim ficar comigo e fui curtindo minhas contrações. Ficava no quarto, andava, deitava e quando vinha a contração fazia alguns movimentos orientados por minha doula. Agachava segurando o berço do Joaquim, rebolava e ia conversando com ele, dizia para ele que eu estava feliz, que ele podia vim, que o papai e a vovó já estavam a caminho. Para passar o tempo fiquei ouvindo a rádio MPB FM e ia conversando no whatsapp com algumas pessoas, principalmente com minha doula Chenia.

Não lembro exatamente a hora que minha mãe chegou, mas lembro que senti muita alegria. Agora era eu, Joaquim e mainha na casa. Minha sobrinha tinha chegado do curso e já estava saindo para escola. Minha mãe trouxe folha de algodão e fez um banho para mim, pois segundo o saber dela e da tradição banho de algodão “esquentava a dor”, acelerava o trabalho de parto. Então minha mãe fez o banho, eu banhei e tomei um pouco do chá. As contrações vinham e iam, as vezes vinham bastante dolorosas, as vezes eu chorava, as vezes parecia que eu estava acostumando. Por volta das dezessete horas minha irmã chegou com meu sobrinho. Só lembro dela me falando “Essa é a cara de quem vai parir hoje?”
Nesse momento mais uma contração estava acontecendo e chorei de dor. Por volta das dezoito minha doula chegou e conversamos, contei tudo o que tinha acontecido durante o dia. Logo depois Ecirio, pai de Joaquim chegou. E as contrações foram aumentando… Caminhei pelo quintal com Ecirio, rebolei. Teve um momento que as contrações estavam mais doloridas ainda. Lembro de Chenia falando para eu ficar de quatro com o quadril para cima para aliviar as dores e ela colocou uma música, um mantra que me acalmou bastante. Ele também fez massagens e orientou Ecirio também sobre como e onde massagear. Por volta das 22h senti fome e falei para minha mãe que eu queria comer. 
Então quando sentei, acho que para tomar sopa as contrações começaram a ficar super doloridas. Não consegui tomar a sopa e elas também não pararam mais. Senti calor também. Chenia aconselhou ir p chuveiro . Fui e fiquei lá por uma hora, nem percebi que já tinha uma hora no chuveiro, mas as contrações não pararam mais. Cada dor era maior e infindável. Chenia achou que era o momento de irmos para o CPN. Concordei. Fomos. Cheguei no CPN uma e cinquenta da madrugada. Fizeram a entrevista e me perguntaram se eu queria que fizesse o tok. Aceitei, mas pedi para que não me falassem. Chenia e Ecirio souberam. Eu estava com 6 cm dilatados. No momento da entrevista senti um liquido descer. Pensei que eu tivesse feito xixi, ela a bolsa querendo romper. Logo vi Maina chegar e a fotografar. Senti alegria quando vi Maina. Fomos para o quarto. Lá, lembro que quis ir logo para o banheiro, chuveiro. Fiquei na bola, no chuveiro, Ecirio me ajudando. Depois disso vesti um roupão e fui p cavalinho. De imediato não gostei dos balanços do cavalinho, mas fui e fiquei. 


O roupão estava me agoniando, pois eu sentia muito calor, então tirei logo tudo e fiquei peladona. kkkkk. Não lembro a hora, mas minha bolsa rompeu. Estourou como se fosse uma bola de encher e saiu um monte de líquido com um cheiro forte de amônia e bem quente. Venho um médico e perguntou se poderia fazer o tok. Aceitei. E ouvi ele dizer “coloca ela no agachamento que esse parto será de sucesso.” Ouvi isso e me senti estimulada. Fui para a “escada”, acho que é esse o nome. Não lembro se foi nesse momento que senti meu corpo abrir, mas especificamente, senti a vagina rasgar. Senti medo, dor! Falei “tem como desistir? Não quero mais normal.” Senti medo das dores serem maiores que aquela que por um momento senti. Sim, foi por um exato momento, porque depois passou e não senti mais nada. Fui para a escada. Pensei “a isso ai é moleza pura!” Comecei a descer os degrau. Nossa como é difícil. 

Logo percebi que também não havia gostado daquela bendita escada. Mas fui descendo e sendo encorajada por meus amores (marido, Chenia e Maina). Fui até o último degrau. E para subir? Eita! Achei que descer estava difícil, subir pior ainda. Mas fui subindo e respirando com ajuda de Ecirio, de Chenia. Mas a maior parte era esforço meu. Senti vontade de ir p banheiro. Achei que eu poderia parir de cócoras. Queria que fosse assim. Agachei no chão no banheiro, mas achei super desconfortável. Sia de lá e fui para a banqueta. Nessa hora eu sentia que estava próximo. Eu estava procurando a posição mais confortável possível. A banqueta era o local. Senti conforto. Ecirio me segurando por trás, me abraçando. Cochilei. Não lembro por quanto tempo, mas demorou e as contrações foram embora. Ai ouvi Chenia falando “Amiga, as contrações foram embora já faz um tempinho. Se demorar demais vai começar tudo de novo.” Ouvindo isso disse para mim mesma “tudo de novo não!’ Ai comecei a chamar “Vem filho, vem Joaquim” Quase que sussurrando. Não tinha forças para gritar, ou resolvi guardá-las para a expulsão. Então senti novamente as dores, agora mais brandas. Porém senti vontade de fazer força. Perguntei “Quem vai segurar ele? Quem vai pegar Joaquim?” Perguntei isso três vezes. Na terceira vez, vi uma equipe entrar. Eram muitas pessoas. Não lembro quantas, mas lembro da enfermeira que segurou Joaquim na expulsão. Apagaram as luzes, desligaram o ar. Fiz a primeira força. 





Joguei para o tórax. Chenia havia me dito que não fazer isso, para canalizar a força para a pélvis. Logo saquei que fiz tudo errado. Pensei “Nossa como é difícil! Como vou fazer isso?” Aí lembrei alguém dizendo “é como se fosse força de fazer coco!” Então pensei nisso e fiz a segunda força. Foi rápido, não tive como pensar muito, pois as vontades eram involuntárias. Na terceira fiz uma força maior que a segunda e Joaquim nasceu. A enfermeira segurou Joaquim e logo colocou em cima de mim. Eu me senti meu aérea. Ouvi o choro dele e o calor dele em cima de mim. Tentei segurar, mas ele escorregava. A enfermeira disse “Segura mãe!” E eu segurei com força e pude ver o Joaquim. Cabeludo, quentinho, cheio de sebo protegendo a pele dele. Boquinha rosinha, olhinhos pequenos. Ele me olhou. 


Fiquei emocionada. Ele reconheceu a mamãe. Logo em seguida olhou para o pai e procurou o seio e mamou. Achei incrível! Ai senti muito sono. E o médico ou a enfermeira, não lembro fazendo milhares de perguntas. E eu pensando “só quero dormir!” E fiquei uma hora acordada porque não deixaram eu dormir. Ai fizeram os procedimentos. Tiraram a placenta. Não vi. Me arrependo por não ter visto a placenta de Joaquim. Joaquim mamou novamente e ai pude dormir. Também senti fome, muita fome, mas o sono era maior.



terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Relato de Parto Chenia d'Anunciação

Publiquei esses relatos no face entre os dias 22 e 26 de abril de 2017.

Equipe:

Parteira Tradicional - Valdeci Santana (Dona Val) 
Doula - Hundira Cunha 
Fotógrafa - Brenda Matos

Local do parto - Itacaré /Bahia




Parto domicilar planejado após uma cesárea há sete anos. 


Zaya nasceu em junho de 2009, de uma cesárea após tentativa de um parto domiciliar. Quando engravidei do Benjamim a mesma certeza do local de parto, o domicílio. 
Escolhi parir em Itacaré, na casa da minha amiga, comadre e doula Hundira. Conheci a parteira Val no curso Cuidando da Matriz: o caminho das ervas, em maio de 2016, em julho do mesmo ano engravidei e em mim algo já estava posto, queria parir na companhia daquela mulher que com tanta sabedoria, dom divino e amor trouxe muitas luzes a esse planeta. Hundira foi peça fundamental na minha ida a Itacaré, me acolheu em sua casa junto com seu companheiro Fábio.
Viajei para Itacaré no dia 22 de março de 2017, minha DPP era prevista para o dia 07/04/2017. 



Sábado, 01 de abril de 2017


Lembro que era dia da mentira, senti uma pontada e fui tragada por um sentimento, como se tivesse atravessado, repentinamente, o portal das memórias e percebi que começava o início da nova jornada dos trabalhos. 
Desabrochei num misto de alegrias e medos, sabia que não tinha mais volta, pedi para tudo dar certo. 
#partodechenia
#nascimentodeBen
#partodiaum

Domingo, 02 de abril de 2017

Domingo começou logo cedo
Acordei determinada a limpar um pouco da casa, sabia que não poderia esperar muito tempo, eram dois de abril e esse bebê filho da lua crescente, abubdante, próspero, anunciador de boas novas. 
Vou abrir aspas aqui... Engravidei no dia 13 de Julho 2016, tinha plena consciência disso, kkk depois daquele vídeo do casal de Brasília ensinando o homem fazer sexo oral. Kkkk
Aquela data era lua crescente e reza a lenda que nove luas após a concepção irá-se parir, me preparei pra lua crescente de abril, 03 a 11 de abril, um ariano que desafio!
Comecei lavando o banheiro, algumas contrações dolorosas, suportáveis.
Zaya enchendo a bola para o parto
Parti pra cozinha, nela passei o dia todo, lavando, limpando e arrumando e nesse meio todo lavando roupas na máquina (isso me rendeu um desgaste no final do dia...contarei linhas abaixo)
Na cozinha, enquanto Zaya assistia TV senti tontura e a sensação de queda de pressão, aferi 90x40mmHg. Resolvi tomar um banho e descansar meia horinha, assim o fiz.
Passei o dia na faxina, mais por necessidade do que pelo aquele desejo que relatam que as mulheres sentem antes do parto de "arrumar o ninho, sou desprovida desses rompantes, odeio faxina
A noite Hundira chegou com Fábio, tinha ido pra Ilhéus na quinta.
Eu e Zaya passamos a maior parte do tempo em que estivemos em Itacaré sozinhas, senti falta da minha família e de algumas amigas como Carla de Miranda nesse período, mas me resignei e foquei no meu objetivo, repetia o mantra: "nem sempre é possível ter tudo e seu objetivo maior era vir parir em Itacaré".
Chorei em alguns momentos do dia, fiquei chateada em outros
A noite finalmente terminei de arrumar as as coisas e só queria um banho quente demorado antes de dormir...
A água acabou, não sabia que por aquelas bandas só caia água pela manhã, lavei três máquinas de roupas, banheiro, limpei cozinha e a porra da água tinha acabado, fui dormir muito chateada, quieta, suada e exausta.
Passei toda madrugada entre idas ao banheiro, xixis infinitos e contrações dolorosas bem espaçadas, não dormi nada bem, queria o banho... 
#partodechenia
#nascimentodeBen
#partodiadois


Segunda, 03 de abril de 2017

Ariano, filho da lua crescente, filho de abril, sempre o primeiro.
Acordei por volta das 3:15, com contrações dolorosas, passei a noite toda assim. Vi um pouco de netflix, o mesmo pão com ovo de sempre (Grey's Anatomy T12) e dormi também entre elas.
Vi o dia amanhecer numa dessas acordadas, fiquei esperando o barulho da água e finalmente pude tomar banho. Que alívio!
Desde quando eu cheguei queria comer caruru, fomos pra Vila para comprar algumas coisas para almoço, inclusive peixe. 
Aproveitamos e tomamos café na vila (não lembro o nome, mas era um lugar que vendia pastel se forno assado de forma não sei das quantas, era gostoso, comi dois) kkkkkk
Fomos em D. Lurdinha comprar a tal gengibirra ( suco de gengibre adoçado ou não, gosto doce)
Aff rodei tudo comprando as últimas coisas que faltavam (torneira, resistência, esmalte kkkk veja na foto minha tentativa se pintar as unhas.
Era super engraçado as contrações vinham nas horas mais inusitadas, o cara da loja de material de construção falou que desmaiaria se eu parisse ali kkkkkk)
Chegando em casa fiz uma moqueca, pirão, outras cositas, almoçamos todos e eu capotei até o início da noite.
Não lembro de mais nada nesse momento sobre a segunda a noite.
#partodechenia
#nascimentodeBen
#partodiatrês
#primeirobanhodoBen


Terça, 04 de abril de 2017

As luzes de Ben



Chegamos na terça, 04 de abril o dia que pensei que era, mas não foi.

Já no final da gestação desejei fazer um presente em agradecimento.
Logo após o carnaval  a coloquei o desejo em prática. 
Pensei em velas nos potinhos, elas foram entregues a pessoas queridas, somente as que eu encontrei pessoalmente, a intenção foi pedir que acendessem no dia que eu entrasse de fato em trabalho de parto. Criei uma lista de transmissão no zap e enviei uma mensagem a essas pessoas (foto nos comentários).
Se tinha algo que pra mim estava claro era que esse trabalho de parto não seria fácil, rápido ou suave. 
Ser doula, uma pessoa mental e controladora não favoreceria o meu processo. Além disso várias dores que carreguei durante a gravidez, não vou falar delas aqui, não esqueci das sacanagens, mas preferi me apegar a solidariedade, sororidade e no tantão de amor que recebi da minha família, dos meus amigos e de gente que nunca nem vi pessoalmente. A todxs vocês minha eterna gratidão.
Esse foi o dia de ajeitar tudo de fato para chegada do Ben. Levei piscina de parto, minha bolsa de doula (sábia decisão), e muita fé.
Não lembro bem como começou a terça, sei que Hundira foi dar aula e Fábio chegou depois do meio dia para ajudar a colocar a casa nos moldes do parto
Muitas contrações, chorei algumas vezes de dor e por me sentir sozinha, Zaya foi minha melhor companhia nesse processo.
As contrações eram efetivas, dolorosas, mas cade muco? Cade sinais que o colo está dilatando? Aquilo me apavorava, desanimava, sabia que apesar de tantas contrações meu colo estava fechado.... De novo os velhos fantasmas.
Velas feitas por mim para presentar
 Por volta das 14h um pouquinho de muco sanguinolento, ebaaaaa animei, as coisas estavam entrando nos eixos. 
Piscina foi enchida, Hundira chegou da escola no final da tarde, contrações a mil e cade mais muco? Cade os sinais ? Nada!
Ainda a tarde falei com a Brenda Matos que poderia vir, ela estava em Itabuna e faria o registro fotográfico. Ela chegou no inicio da noite e eu tava tão doida de dor que nem nos falamos direito.
Lembro que a dor era alucinante, mas que em algum momento da tarde eu senti falta dela entre as contrações, senti prazer dela estar ali e passei algumas contrações prazerosas, achei a sensação curiosa kkkk
A noite chegou, pensei que nasceria antes de meia noite (gargalhada de Chenia).
Oscilei entre segurar a onda e desespero absoluto. Por volta das 20:45 liguei pra minha irmã Si Roseli, chamou e ela não atendeu, liguei pra Carla de Miranda ela atendeu, ufa, chorei muito embaixo do pé da cajarana, ouvi sua voz calma e amorosa, sua narrativa sobre o parto da Rosinha, chorei outro tanto, me senti acolhida, era o que eu precisava naquele momento.
#partodechenia
#nascimentodeBen
#partodiaquatro
#asluzesdeBen

Velas acesas por Edlamar, Mainha, Sica e Fernanda, Betinha e Nailda

Restinho da noite de terça e Quarta, 05 de abril de 2017

Parto de Chenia
Nascimento de Ben (Benjamin)

A noite derradeira chegou era preciso aceitar o processo e parir.
Depois que falei com Carla no Telefone, não lembro bem o que veio na sequência.
Durante a gestação eu notei que movimentos traziam as braxtons (contrações de treinamento), subir escada, levantar do chão, caminhadas... Saquei que no trabalho de parto poderia ser a mesma vibe e foi. Eu queria muito ficar quieta, toda vez que me movimentava vinha uma contração, estava bem cansada, as dores eram um pouco acima do púbis, como se o bebê não tivesse entrado na pelve, era essa minha sensação, sentia sua cabeça martelando ali, reclamei muito desse incômodo, pois não conseguia me movimentar muito.

Em algum momento Zaya pediu meu celular, estava um pouco irritada e disse que não sabia onde estava, pra ela ficar quietinha que eu tava com dor.
Ela achou rapidamente o celular e veio até mim
-Mamãe, vou fazer o que você faz comigo quando não consigo dormir, vou colocar Rosa "Sassara" (Rosa Zaragoza ) pra você ouvir e relaxar. 
Só de lembrar desse momento eu choro de novo, agora nem consigo ouvir mais o cd de boa, que sempre choro.
Ouvi todo, ouvi feliz, Zaya é mesmo uma luz. Cada vez que eu pensava que não iria aguentar eu pensava nela, pensava na nossa viagem, nas nossas conversas, no seu desejo de ver um parto e de como aquele seria especial. Posso dizer que não desisti por ela, se eu tivesse no Português (hospital do meu plano em Salvador) teria feito uma peridural sem pestanejar, ou outra cesárea, mas tive medo de deixar ela sozinha, não seria justo, e não sou mulher de arregar.  Kkk
Sei que Hundira Cunha preparou um banho de assento com algodão e aquela água quentinha me ajudou bastante. Fiquei horas naquela bacia, cheguei a cochilar nela, ao som de Rosa Zaragoza de novo.
Consegui sair da bacia e deitar um pouco no sofá, cochilei, dormi, não sei bem.
Zaya apareceu de novo e me chamou pra deitar
-Mamãe venha pra cama, não quero dormir sozinha, já arrumei tudo.
Deitamos, dormi mais um pouco...
Acordei com mais dor....
Eita parto, quando liguei pra parteira ela estava com outra mulher se avizinhando ao trabalho de parto, não é que entrou?! 
Deus, divindades infinitas do universo, já diria a Banda Mel em Faraó....a mulher morava lá por Serra e Tia Val foi atender o parto e me sugeriu ir para sua casa que assim que saisse do parto me atenderia. 
Olhei pra aquela piscina cheinha de água quente, pensei nos paranauês que Fábio fez pra encher, eu ainda nem tinha entrado, pensei na saliva que tive que gastar com o motoboy, meu coligado, pra baixar o preço da corrida Lauro x Pituba de 70 para 50 pilas, pra ir buscar a piscina, lembrei da Paralela engarrafada nos dois sentidos por conta de dois acidentes, hora do rush, minha bunda dolorida naquela viagem.... Enfim, definitivamente não ia sair dali. Kk
Eu disse que aguentava, que achava que ia demorar. Pedi a Hundira pra fazer um toque e o que eu esperava colo fechado. 


Tive um ataque, queria ir pra Serra pra poder auscultar o bebê, fiquei retada porque Hundira disse que o colo estava fechado e eu nunca digo a gestante sobre sua dilatação a não ser que ela queira saber...pirei na batatinha. Hundira me acalmou. 
Resolvi então que precisava relaxar de verdade e pedi um "fidiback", melhor escolha da noite... Alguma alma boa colocou Baiana System pra tocar, comi, todo mundo foi dormir e eu deitei um pouco, dei outra calibrada, dancei bastante no quarto durante as contrações, outra calibradinha fiz um chá de alecrim coloquei perto da piscina, comi horrores, e entrei na bendita, que tudooooo agradeci a mim mesma kkkkk
Fiquei ali a piscina, ouvindo o som, sentindo o cheiro do alecrim (a erva da felicidade), relaxei tanto que me masturbei até dormir de novo.
Suzana, ajudante de parteira de Tia Val mandou uma mensagem que o bebê tinha nascido, eram 1:32. Não acompanhei bem o processo, sei que foram buscar ela em Serra e ela chegou... Meu Deus que alívio. Primeiro toque oficial, 2cm, aff que alegria, não era mais colo fechado.
Dai em diante, dor, dormir, chorei até ter uma catarse, pirei outras vezes, o dia raiou e nada de parir.
Ah quando Tia Val foi auscultar eu sentada, bebê tão alto que pensou que  ele tinha ficado pélvico (sentado). Isso logo se desanuviou.
Tia Val preparou outro banho de assento super quente e habitei umas duas horas aquela bacia.
Pude me tocar algumas vezes e ia vendo o dedo entrando menos, senti a bolsa, aff que alegria, tava perto, eu ia parir

Levantei outra pessoa, a  dor tinha mudado de padrão, a dilatação progrediu e eu fui tomar sol, coloquei a  bola no terreiro e quiquei, rebolei, suei, minha vontade era rolar na terra e ficar deitada de barriga pra cima tomando sol nas partes como as cachorras estavam fazendo, que inveja!
Isso já era perto de  meio dia. 
Entrei em casa e comecei a sentir os puxos (vontade de fazer força)... Começou o se ajeita pra parir.
Ouvi que Aranda chegou, senti uma grande alegria ao ouvir  voz, não sei porque, depois ouvi que ela ia preparar o almoço, pedi pra não colocar corante (colorau), detesto! Kkkk
Mudei a posição, puxos mais fortes, senti o muleque vindo, senti o círculo de fogo intensamente, ouvi o coro de mulheres gritando "VAI COMADRE" e fui, com dor, com força e com alegria, eu tava parindo, pqp, senti a cabeça sair e outra contração e  corpo quentinho do Ben passou por mim, pelas minhas entranhas, quw sensação!
Olhei pra baixo e o  vi, quase uma miragem, consegui eu pensei. Olhei pro alto e vi Zaya com a mao na boca, pasma!


Não chorei, peguei no meu colo, deitei no sofá pedi o celular e fiz uma chamada de vídeo pra minha mãe, depois pra minha sobrinha Fernanda Swan.
Senti seu corpo quente, seu cheiro, cordão pulsando, Zaya o tocou também ficamos ali.
Pouco depois a placenta dequitou com a ajuda de tia Val, comi um  pedaço dela com shoyo.
Ben nasceu as 13:49 do dia cinco de abril
Pari na casa da minha comadre Hundira em Itacaré, sagrado  o dia que ao entrar no MT 7 da Uefs ela veio gritando da outra ponta, Cheniaaaaa vou morar com você.
Preciso inventar outra palavra, porque gratidão não dá mais conta.
O sagrado existe e ele vive também em mim.
Eu consegui!!!!

#partodechenia
#nascimentodeBen

#partodiacinco
Pós parto imediato


Hundira (amiga, doula e comadre) e Fábio
Casa que Benjamim nasceu na Vila Marambaia, Itacaré-Ba.